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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Portugueses são os que mais querem poupar para enfrentar futuras crises






CONSUMO
 por: Marta Velho
 
 25.09.2017
 
 
 
Apesar de a situação económica estar a melhorar, portugueses são os que mais fazem compras refletidas.
 
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
 
Menos pessimistas mas mais poupados. É o retrato geral dos portugueses que faz o mais recente estudo na União Europeia (UE) do Observador Cetelem sobre a confiança dos consumidores. O relatório, ao qual o Dinheiro Vivo teve acesso, mostra que, em Portugal, as pessoas começam a mostrar-se mais positivas, contrariando a tendência negativista dos anos anteriores, mas sem espaço para euforias: a folga que a retoma está a trazer é para poupar e não gastar dinheiro. Nos próximos anos, 57% dos portugueses inquiridos asseguraram que estão a pensar fazer crescer as suas poupanças – o valor mais alto da UE – e só 33% pretendem aumentar as despesas.
 
O estudo mostra que, pouco a pouco, a Europa vai recuperando da recente crise. Apesar de ainda abaixo do valor simbólico dos 2%, o crescimento europeu tem-se mantido regular. Para 2017, as previsões da Comissão Europeia apontam para um pequeno declínio da média da UE, que ficará nos 1,6%. Por outro lado, o desemprego europeu tem vindo a diminuir: dos 11% no pico da crise passou 8,3%.
 
Reflexo disto, a moral dos europeus está no nível mais elevado em dez anos. “É um sentimento perigoso se a isso se juntar a euforia desmesurada. No caso português, verifica-se que não é o caso. As pessoas estão mais confiantes mas continuam a manter uma postura de alguma reserva”, explica José Pedro Pinto, diretor de marketing e vendas do Cetelem, que acrescenta que, apesar do positivismo, nenhum dos restantes países europeus se está a deixar levar pelo entusiasmo. “Não nos parece também que nos restantes países analisados pelo estudo do Observador Cetelem se registem casos de euforia. Primeiro, porque apesar de estarmos perante os melhores valores da última década, continuam longe dos períodos de maior dinamismo, no final da década de 1990 e início deste século. Depois, porque é evidente uma certa diferença de predisposição entre os países ocidentais e os de leste, com estes últimos a assumirem maior pessimismo e dúvidas face à sua envolvente.” 
 
 Os portugueses avaliam 4,6 em dez a situação do país. A nota não é ainda positiva mas está de acordo com a média europeia (4,9) e melhor que no ano passado, quando a nota foi de 3,5. Foi a maior subida da UE. Acima de cinco estão a Alemanha, Bélgica, Reino Unido, República Checa, Dinamarca, Áustria e Bulgária. Os mais novos (18-34) são os que têm uma melhor perceção da situação nos seus países.
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