[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

DE UM CONSUMIDOR FERIDO NA SUA DIGNIDADE A RECLAMAÇÃO PRESENTE À CP:


A… vem expor o que segue:

Pensei “duas vezes” se me havia de me dirigir aos vossos Serviços.

Mas porque os direitos dos cidadãos em geral e, de modo particular, os das pessoas com mobilidade condicionada, são inalienáveis, decidi dar sequência ao que vos passo a expor.

Na data referida no bilhete (Coimbra-Espinho), que agora vos remeto, dirigi-me à Estação da CP, em Coimbra B, para adquirir um bilhete de pessoa com deficiência, que é, afinal, a pessoa que agora se vos dirige.

Estavam entre umas 7 a 10 pessoas na fila.

Num 1º momento fiz a fila. Fila única. Como não vi da parte de quem estava nas 3 bilheteiras a atender nenhum gesto de que me indicasse prioridade, apesar de me locomover com a ajuda de uma bengala, decidi pôr-me perto de uma das bilheteiras (a do lado direito das que estavam abertas), para aceder à mesma, no fim do atendimento da pessoa que lá se encontrava.

“Carrego”, para tanto, sempre comigo, a respectiva documentação até porque, infelizmente, usufruo do desconto no bilhete da CP e que para tal, tenho que “exibir” o respectivo documento.

Ao tentar-me posicionar para ser atendido no final do atendimento da pessoa que lá estava, fui “brindado” com uma série de impropérios por uma jovem que se achou “ultrapassada”, sendo secundada por outras pessoas. Mesmo quando lhe acenei com o documento e perguntando-lhe se ela saberia interpretar a informação de atendimento prioritário exposta nas bilheteiras, ela não parou nos seus epítetos. Fê-lo sem nenhuma intervenção apaziguadora de alguns
dos 3 “funcionários” das bilheteiras.

Se a situação foi grave e é grave, ela tornou-se ainda mais grave quando estes “chorrilhos” foram secundados…ampliados pelo “funcionário” que me vendeu o bilhete. Nem ele mesmo quis fazer caso ao atestado multiuso que já o tinha na mão para adquirir o bilhete.

Mas como se não bastasse, quando lhe pedi o bilhete para Espinho (comboio regional) e lhe pergunto quanto devo pagar, o “homem” me diz que são 5€ e tanto (agora não me recordo, mas quase 6€), eu pergunto-lhe se não havia engano. Responde-me de modo continuamente alterado que não, que não havia. Returco: mas desculpe, como é que não há engano, se eu em regra viajo no Intercidades - ida e volta - e só pago 7€? Mesmo assim o “homem” não acede a pensar sequer se se tinha enganado. Só quando eu me lembro e lhe apresento o bilhete da vinda de Espinho a Coimbra, nesse mesmo dia, e cujo preço (3.50€), como é aferível do bilhete que agora vos remeto, é que o “homem” decide reprogramar a venda do bilhete cujo preço é menos de 2€.

Senti-me humilhado. Duplamente humilhado.

Em face do exposto, requeiro que a CP disponha de uma bilheteria própria para pessoas com
deficiência que dela façam prova, obviamente de acordo com a legislação.

A mesma poderá atender pessoas sem essas necessidades especiais, mas logo que apareça
alguém com mobilidade condicionada e, por ordem de chegada, deve ser atendido, no final do atendimento em curso.

Da forma como está - e com funcionários com o comportamento como acabo de descrever -continuarão os equívocos e as humilhações.

De referir ainda que situação análoga já antes se havia passado em Espinho.

As pessoas com mobilidade condicionada não têm que pedir licença para que a lei se cumpra. Requeiro ainda e também, que a CP dê formação aos seus colaboradores em matéria de
atendimento, em especial no que concerne ao atendimento que aqui é referenciado.

Por último, e perante o descrito, pergunto:

- Qual deveria ter sido o meu comportamento para usufruir de um direito consagrado na Lei? O direito ao atendimento prioritário, sem ter que me expor do modo como foi impelido a fazê-lo nesse dia 20 de Setembro.

Na expectativa de ver respondidas todas a questões levantadas (todas), nos prazos legais, de acordo com o nº 3 do artigo 82º do CPA,

sou a subscrever-me com a mais elevada consideração estima, ficando a aguardar a melhor resposta.

Santa Maria da Feira, 22/09/17

Assinado, A.O.S.


E qual foi a resposta da CP?
 


Comentário

Lamentável! Duplamente lamentável!

Direitos são direitos.
De estranhar é que o pessoal da CP não esteja minimamente habilitado a cumprir as funções a seu cargo, ignorando as suas obrigações mais elementares.
E que se procure fugir às responsabilidades, estimulando-se as pessoas a não procurarem as bilheteiras da Companhia.
Ponto é que toda a gente tenha acesso à internet…
Para o caso em evidência e noutros análogos, não procede, ao que parece,  a venda de títulos de transporte pela Internet nem no Multibanco em razão do desconto que a CP (protocolo celebrado entre a CP e o INR) confere aos atestados multiusos com = ou + de 80% de incapacidade, como ocorre na circunstância.
E, a mais que isso, que a CP se não organize, como sugere o reclamante, para dar efectiva prioridade a quem, por lei, a tem.
Só e tão só!
 

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