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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Estudo mundial encontra pesticidas em 75% de amostras de mel

Visão Verde

A concentração de inseticida neonicotinóide é inferior ao limite permitido para consumo humano, mas está a afetar as abelhas, passando pelo seu sistema nervoso ao libertar o néctar

 DR

Com a colaboração de dezenas de voluntários, um grupo de investigação científica reuniu 198 amostras de mel provenientes dos cinco continentes, para procurar os cinco principais neonicotinóides, habitualmente, usados na prevenção, controlo e tratamento de várias culturas agrícolas contra organismos considerados prejudiciais. Estes pesticidas sistémicos, à base de nicotina, aplicam-se geralmente nas sementes, fixando-se em toda a planta à medida que cresce, incluindo flores e frutas. Atuam no sistema nervoso e, em princípio, afetam apenas os invertebrados que se alimentam das plantas tratadas, sendo inócuo para vertebrados, como os humanos.

A análise liderada por Edward Mitchell, biólogo da Universidade de Neuchâtel, na Suíça, encontrou restos de pesticidas modernos na maioria das amostras de mel. A concentração é residual, ficando abaixo dos limites impostos pela União Europeia para consumo humano. Ao certo, a média de quantidade de pesticida encontrada nas amostras positivas é de 1,8 nanogramas (ng) por grama de mel. A União Europeia estabeleceu o limite admissível de 50 ng para três dos neonicotinóides analisados e em 10 ng para os outros dois. No entanto, os níveis detetados podem estar a afetar as abelhas. 

Os resultados da investigação, publicada na revista Science, mostram que em 75 porcento das amostras de mel havia vestígios de pelo menos um neonicotinóide. Quase metade do mel analisado tinha restos de dois ou mais pesticidas. E dez porcento dos potes tinham uma mistura de quatro ou cinco desses pesticidas. 
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