[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A banca como a conhecemos acaba a 1 de janeiro

Inovação

Autor:
Edgar Caetano
 
 

No início de 2018 entra em vigor a diretiva europeia que vai regular as novas tecnologias na banca. "Alguns Davides podem vencer certos Golias", disse o comissário europeu Carlos Moedas em Lisboa.
Talvez tenha acontecido consigo nos últimos tempos. Encontrou uma loja online no Facebook, um pequeno comércio com bons produtos, e decidiu comprar uma roupa de bebé para oferecer a uns amigos. Na altura de pagar, contudo, recebeu uma entidade/referência Multibanco, saiu do Facebook e teve de entrar no homebanking para fazer o pagamento. Este é um exemplo simples do que pode vir a mudar com a nova diretiva europeia que entra em vigor a 1 de janeiro de 2018 e que pode revolucionar a banca como a conhecemos: se assim entender, poderá não precisar de sair do Facebook (ou do Google ou da Amazon, por exemplo) para pagar. Algumas destas empresas tecnológicas — e muitas outras que aí virão — podem não só ter informação sobre a sua conta mas, também, ter legitimidade para fazer o pagamento.

Com a nova diretiva, “alguns Davides poderão vencer certos Golias”, afirmou o comissário europeu para a inovação, Carlos Moedas, numa conferência em Lisboa esta segunda-feira, no Museu do Dinheiro, sobre o tema das fintech (as tecnológicas financeiras) e a entrada em vigor da nova diretiva. As fintechs já estão a “pisar os calcanhares” de algumas grandes empresas incumbentes na área financeira, afirmou Carlos Moedas, defendendo que vivemos uma “terceira vaga” de inovação na Internet, o momento em que as empresas tecnológicas e a Web penetram setores regulados, como o financeiro.

A diretiva em causa chama-se Diretiva dos Serviços de Pagamentos revista, mais conhecida pela sigla anglosaxónica PSD2. Em termos simples, a diretiva quer acabar com o monopólio que as instituições financeiras têm sobre a informação financeira dos seus clientes e sobre os serviços de pagamentos. Isto significa que qualquer empresa, devidamente licenciada mas sem estar sujeita à pesada regulação financeira, pode (se os clientes bancários autorizarem) passar a ter informação sobre as contas bancárias das pessoas — e não só: podem passar, também, a ter uma linha direta para iniciar a transferência.

É impossível prever, nesta fase, o que isto vai significar para o negócio da banca, que terá de reagir e reinventar-se, em certa medida, para continuar a ser vista como essencial na vida das pessoas. Mas a consultora Roland Berger admitiu, em janeiro, que os bancos podem perder entre 25% e 40% do negócio.
(...)

Sem comentários: