[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Alimentação escolar. Quanto vale este negócio?


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A Uniself, que este ano ganhou a exploração de 602 refeitórios escolares de todo o país, existe desde 1981 e já celebrou contratos no valor de mais de 310 milhões de euros com o Estado.
Uniself, Gertal, Itau, Eurest, ICA. São estas as maiores empresas de restauração coletiva a operar em Portugal e têm alternado nas últimas décadas nos refeitórios das escolas públicas — e não só. Estão literalmente em todo o lado: gerem as cantinas de escolas, universidades, hospitais, empresas, forças armadas e de segurança, serviços prisionais, instituições particulares de solidariedade social e até de serviços da administração pública.

O setor é gigante e o negócio milionário, explicam as conclusões da 1ª Convenção de Alimentação Coletiva, realizada em outubro passado, em Lisboa: ao todo, são 300 milhões de refeições servidas todos os anos nas 16 mil cantinas e refeitórios do país e 62% delas são asseguradas por empresas de restauração coletiva. Em 2009 a Autoridade da Concorrência (AdC) chegou a acusar sete empresas de restauração coletiva (Gertal, Itau, Eurest, Uniself, ICA, Nordigal e Sodexo) por concertação de preços e troca de informações comerciais sensíveis. A multa ascendia a mais de 14 milhões de euros para as empresas e mais de 20 mil euros para os cinco administradores. Mas o processo viria a terminar em 2015, tendo sido declarado prescrito pelo Tribunal da Concorrência, Supervisão e Regulação.

No que diz respeito apenas aos refeitórios de escolas de 2.º e 3.º ciclos e secundárias em Portugal Continental, a Uniself foi a empresa que este ano (e até 2020) mais ganhou. Ao todo, a empresa, com sede em São Julião do Tojal e capital social de 2.501.500 euros, celebrou com a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEsTE) três contratos, no valor de 108.389.418,44 euros (sem IVA). A ICA, com capital social de 500 mil euros e sede no Seixal, ficou com as cantinas da zona Centro: 39.546.316,32 euros foi por quanto foi fechado o negócio.

De acordo com o portal Base, que reúne a informação relativa aos contratos públicos, a Uniself, fundada em 1981, celebrou até à data 738 contratos no valor total de 310.135.617,28 euros com o Estado. A ICA, por seu turno, celebrou contratos públicos no valor de 76.215.170,30 euros. Parte do grupo Nordigal, que detém também as sociedades agrícolas Teoflor e Herdade do Rolão e uma linha de refeições prontas, a ICA existe desde 1984. Contactada pelo Observador, a empresa mostrou-se indisponível para prestar declarações.
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