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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Cancro do pâncreas: apenas 2% dos casos diagnosticados são tratados com sucesso

Entrevista
 
Por: Carlos Sottomayor, diretor do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Pedro Hispano

Cancro do pâncreas: apenas 2% dos casos diagnosticados são tratados com sucessoNo âmbito do Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que se assinalou ontem, 16 de novembro, o Vital Health esteve à conversa com o oncologista Carlos Sottomayor sobre a prevalência desta doença em Portugal. Falamos de uma patologia que representa o 3.º tipo de cancro do sistema digestivo mais frequente em Portugal, logo após o cancro do cólon e do estômago, estimando-se que surjam, anualmente, cerca de 1.400 novos casos. Quanto à taxa de sucesso do tratamento, o médico adianta que os números são semelhantes ao resto da Europa: apenas cerca de 2% dos casos diagnosticados são curados.
Vital Health (VH) | Dia 16 de novembro assinala-se o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas. Que retrato traça desta patologia em Portugal e na Europa?
Carlos Sottomayor (CS) | Em geral, o cancro do pâncreas aparece a partir dos 55 anos, mas com mais frequência a partir dos 65 anos. Tem uma incidência de 1/100.000 habitantes por ano, registando-se mais em homens do que em mulheres. Mais de 80% dos casos são diagnosticados já em fases localmente avançadas e não operáveis ou metastizados.

VH | Como é que se desenvolve o cancro do pâncreas?
CS | O cancro do pâncreas mais frequente e mais grave é um adenocarcinoma e desenvolve-se a partir do componente glandular exócrino do pâncreas sob a forma de uma massa sólida.

VH | Existem vários tipos de cancro de pâncreas. Quais são os mais comuns em Portugal e quais principais diferenças que os distinguem?
CS | O tipo de cancro do pâncreas mais frequente é, em primeiro lugar e preponderantemente, o adenocarcinoma que surge a partir do componente glandular exócrino do pâncreas. Podem depois aparecer carcinomas neuro-endócrinos que são em geral menos agressivos, mais frequentemente operáveis e podem produzir substancias ativas para a circulação.

VH | Tal como acontece com a maioria das doenças, a deteção precoce aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento. De que forma é que o cancro do pâncreas se manifesta e a que sinais de alerta é que os portugueses devem estar atentos?
CS | O cancro do pâncreas provoca dores abdominais ou nas costas, alterações do apetite, náuseas e vómitos repetidos, emagrecimento, coloração amarelada da pele e olhos (icterícia) com urina escura e fezes claras, que pode desencadear o aparecimento de uma diabetes, pela primeira vez, ou dificuldades na digestão de gorduras.

VH | O cancro do pâncreas pode evoluir quase sem sintomas. No final de agosto deste ano, o observador noticiou uma aplicação desenvolvida por investigadores americanos para detetar este tipo de cancro, através de selfies.. De que forma é que através do aspeto da cara é possível detetar cancro do pâncreas?
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