[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Cidadãos que vão fazer perguntas a Costa pagos em vales de compras



Governo
 
Autor:



Cada elemento do grupo de cidadãos que vai fazer perguntas ao primeiro-ministro receberá 200 euros em vales de compras. Após gastar 11 mil euros em 2016, Governo pagou 45 mil euros este ano.
Há um ano Costa fez-se acompanhar de ministros e Governo pagou 11 mil euros pelo evento em Lisboa
LUSA

Os cidadãos de vários pontos do país que vão este domingo fazer perguntas ao primeiro-ministro — no âmbito da comemoração de dois anos de Governo — vão ser pagos em vales de compras, garantiu ao Observador Jorge de Sá, da Aximage, empresa responsável pelo recrutamento dos participantes no evento. O jornal Sol noticiou este sábado que o Governo contratou uma empresa que irá pagar hotel, despesas e 2o0 euros aos cidadãos que aceitaram deslocar-se no domingo a Aveiro para questionar o primeiro-ministro António Costa. Ou seja: os contribuintes vão pagar o evento. Já há um ano o Governo pagou 11 mil euros, este ano pagará quatro vezes mais.

O contrato para este domingo, 26, foi feito com a Aximage por ajuste direto — terá um custo total de 45.202 euros (36.750 euros aos quais acresce IVA) — e consiste na aquisição de “serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional”. A sessão pública foi divulgada pelo Governo, que diz apenas estar a dar “cumprimento a uma das medidas do seu Programa que procura melhorar a qualidade da democracia (…): a avaliação anual do cumprimento das promessas presentes no programa de governo, com a participação de um grupo de cidadãos escolhidos aleatoriamente.

A oposição já veio contestar esta sessão (que terá entre 50 a 70 pessoas) e exige que o Governo desista de a realizar. Jorge de Sá, da Aximage, não percebe a polémica em torno do assunto já que é “normal” quando se faz um “estudo” que haja um “estímulo para que as pessoas participem nesse estudo“. Quanto aos valores, Jorge de Sá explica que um evento em Lisboa, onde as pessoas não têm de se deslocar, normalmente as pessoas recebem “60 euros por estarem duas horas e meia num evento”. Ora, se a ida a Aveiro é 200 euros — valor que não confirma — Jorge de Sá considera um valor “absolutamente razoável“.

O responsável da Aximage — explica que não é o responsável direto por esse recrutamento — mas garante que esses 200 euros pagos aos participantes são pagos em vales de compras. “Só pode ser pago dessa forma, não tem lógica as pessoas passarem recibos verdes para participarem no evento“. Ou seja: as pessoas recebem um cheque-oferta. Este modelo é normalmente utilizado como incentivo para este tipo de estudos, podendo depois as pessoas deslocarem-se a retalhistas como o Pingo Doce, o Continente ou Minipreço (dependendo dos que têm acordo com a empresa de estudos) para efetuar compras com esse “cheque”.
(...)

Sem comentários: