[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dezenas de detenções na elite saudita são início de uma nova ordem no país





Médio Oriente

É ainda cedo para perceber o potencial da medida ditada pelo príncipe herdeiro. Um dos detidos é o multimilionário mais famoso do país.

Foto:  A notícia das detenções de 11 príncipes sauditas, quatro ministros e dezenas de membros da elite são "um terramoto" no país
FAISAL AL NASSER/Reuters



Este fim-de-semana viu “o início de uma nova ordem na Arábia Saudita” (disse o académico Fawaz Georges), “nada menos do que um terramoto” (disse a BBC), uma acção de alguém “que arrisca numa escala raras vezes vista no Médio Oriente” (The Guardian). O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, ordenou a detenção de 11 príncipes, quatro ministros e ainda dezenas de outros responsáveis da elite saudita, de madrugada e sem pré-aviso. A escala causou surpresa, mesmo vindo de uma figura que tem concentrado poder como nenhum outro príncipe herdeiro antes o fez.

Uma das razões para a surpresa desta acção é o facto de entre os detidos, acusados por um recém-criado organismo anticorrupção criado pelo rei, que o entregou ao príncipe herdeiro, estar um dos homens mais ricos do mundo, investidor em empresas como o Citibank, Twitter, Apple ou Lyft, que, apesar de não ser parte da família real, era um representante informal do país: Alwaleed bin Talal.

Bin Talal é uma personagem no mínimo colorida: processou a revista Forbes por esta lhe ter atribuído um valor de apenas 17 mil milhões de dólares, algo que considerou ser uma avaliação abaixo da realidade, criticou o então candidato Donald Trump no Twitter (chamou-lhe “uma vergonha para a América”, tendo, é claro, uma resposta), e o seu último projecto era comprar um Airbus A380, o maior avião do mundo, e equipá-lo com uma sala de concertos, banhos turcos e estacionamento para o seu Rolls Royce).

Sem comentários: