[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Estivemos offline com Paddy Cosgrave, líder da Web Summit. Provou leitão, andou de táxi e até escreveu um tweet à mão

 
 por: Ana Pimentel
 
06.Novembro.2017 


Desafiámos o CEO da Web Summit a estar 1 hora offline. Descobrimos que lê Rousseau, acredita que as redes sociais estão prestes a acabar e que o fado, apesar de triste, ajuda a manter os pés na terra.
— Há problema em estarmos offline?
— Não, está tudo bem.
— Não fica ansioso quando está sem telemóvel?
— Não, regra geral nem utilizo o telefone. Desligo-me totalmente.
— A sério?
— Sim. É útil para pensarmos.

Passavam 15 minutos da hora marcada quando nos encontrámos com Paddy Cosgrave em frente à Casa Bota Feijão. Fachada laranja, barra azul e porta de madeira à antiga. Do lado de cá, nada fazia prever a agitação de talheres e pratos que ouviríamos mais tarde nas várias salas — pequenas, apertadas, bem temperadas com azeitonas, pão e manteiga. Quando chegámos, porta fechada. Mas lá dentro estão duas doses de leitão religiosamente guardadas à nossa espera. “Isto já fechou”, disse um dos empregados.

Pedimos desculpa (o atraso era nosso) e minutos depois estávamos sentados numa espécie de mini divisão soalheira: uma mesa em L com seis lugares e uma janela. “Estão bem aqui?” Estávamos. Do outro lado da janela, na rua que fica bem perto da FIL e do Altice Arena — que esta semana vão receber 60 mil pessoas –, não se ouve nada, mal passam carros. A azáfama que se sente no resto do Parque das Nações não chega ali. “Mas que tipo de sítio é este?”, perguntou Paddy quando saíamos. É um restaurante tipicamente português.


— Então e para beber o que vai ser?
O português do empregado de mesa do Bota Feijão é claro como a água que acabaríamos por beber mais tarde, mas para obter uma resposta de Paddy é preciso tradução. Perguntamos se quer um copo de vinho. “Não, não costumo beber.” Insistimos. Acaba por contar que um dos cofundadores da Web Summit, sempre que vê vinho português na carta de um restaurante, pede, seja em que país for, mas que ele nunca bebe. E uma cerveja portuguesa? “Não, quero mesmo só água com gás.” Nem uma cerveja sem álcool? “Não, fico mesmo bem com uma água com gás.”

(...)

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