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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Estudo sobre bebidas. O açúcar também engana


Sociedade


Estudo revela que os futuros profissionais de saúde têm percepção errada da quantidade de açúcar nas bebidas açucaradas. Apesar de estarem informados sobre os efeitos do ingrediente na saúde, os refrigerantes continuam a fazer parte da sua lista de compras. Mas estão atentos aos rótulos e reduzem o consumo
 
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Sabemos mesmo qual é o teor de açúcar dos produtos que consumimos? O tema teve algum destaque no parlamento na semana passada, quando o deputado do PAN André Silva alertou que alguns refrigerantes tributados pelo imposto do açúcar, que entrou em vigor este ano, têm menos açúcares adicionados que os leites achocolatados, que escapam à “sugar tax”. Um estudo da Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, a que o i teve acesso, também procurou recentemente medir as perceções dos jovens, no caso dos futuros profissionais de saúde. Concluiu que nem sempre os produtos que conotamos como sendo mais doces são os que têm mais açúcar.

Na realidade, concluiu o trabalho, os estudantes de saúde chegam até a pensar que as bebidas açucaradas têm mais açúcar do que o teor real. E apesar de 45,6% dos inquiridos ainda as comprarem pelo “gosto doce”, igual percentagem diz que não compra.

A Coca-Cola, por exemplo, tem para a média dos 193 estudantes inquiridos de áreas da Saúde como Medicina, Medicina Dentária ou Nutrição, 14 gramas de açúcar por cada 100 mililitros (ml). O valor real é 10.2 gramas. Já quanto ao Lipton Ice Tea, com 4.7 gramas de açúcar por 100 ml, os mesmos inquiridos estimaram mais do dobro – 10 gramas.

Mas o estudo mostra também que as bebidas mais saudáveis, como o Tisanas Pleno ou as águas com sabores, têm, na perceção dos inquiridos, menos açúcar do que o teor real. Cerca de um grama separa a diferença entre os valores médios estimados e os valores reais.

Maria Fernanda de Mesquita, endocrinologista e coordenadora do estudo realizado pelo Laboratório de Bioquímica (BIOQUILAB) do Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM), sublinha ao i que o consumo de bebidas açucaradas “é um problema de saúde pública” e tem vindo a aumentar. Apesar de justificar a diferença entre a perceção e o valor real com o hábito do consumo, a coordenadora lembra que a perceção é um “fenómeno complexo”, dependente de vários elementos.

Mais consciência quanto aos efeitos do açúcar?
 
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