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terça-feira, 14 de novembro de 2017

“Mulheres e Diabetes: o nosso direito a um futuro saudável”

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por: 

Paula Freitas, endocrinologista do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO)

 14-11-2017


Bem-Estar 
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Todos os anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elege um lema para assinalar o Dia Mundial da Diabetes. Este ano, o tema escolhido foi “Mulheres e Diabetes: o nosso direito a um futuro saudável”, sensibilizando para o facto de a igualdade de género e o acesso à inovação e à terapêutica ainda não serem uma realidade absoluta a nível global. Em entrevista ao Vital Health, a endocrinologista Paula Freitas, do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), explica o tipo de complicações associadas à diabetes na mulher, nomeadamente a diabetes gestacional.
Vital Health (VH) | “Mulheres e Diabetes: o nosso direito a um futuro saudável” foi o tema lançado este ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para assinalar Dia Mundial da Diabetes. Que razões considera estarem subjacentes à escolha deste tema?
Paula Freitas (PF) | Em primeiro lugar, não gosto nada de “dias da mulher”, porque num mundo perfeito, se a igualdade de género fosse uma realidade em todas as sociedades, não havia esta necessidade. Mas a realidade é bem diferente. Mesmo nas ditas sociedades ocidentais e nos países mais desenvolvidos, a igualdade de género ainda não é uma realidade absoluta. Isto para não falar dos países em que as mulheres não têm quaisquer direito. Portanto, percebo que a OMS se preocupe com a situação da mulher no mundo e da mulher com diabetes, em particular da mulher com diabetes gestacional. Talvez tenha sido isto o que esteve subjacente à escolha deste tema.

VH | Qual o panorama da diabetes no género feminino em Portugal?
PF | Em Portugal, a prevalência da diabetes, segundo os dados do Observatório Nacional da Diabetes de 2016, na população entre os 20 e os 79 anos, é de 13,3%, sendo de 10,9% nas mulheres e 15,9% nos homens.

VH | Que tipo de complicações estão associadas à diabetes, nomeadamente nas mulheres?
PF | A diabetes é uma doença sistémica que pode atingir todos os órgãos e sistemas do organismo. Está associada a complicações tardias ou crónicas, que vão desde a retinopatia diabética (que pode originar cegueira), nefropatia (que nas suas fases tardias leva à necessidade de fazer tratamento com diálise), neuropatia (doença que pode atingir desde o sistema digestivo, urinário, cardiovascular e os membros inferiores), acidentes vasculares cerebrais, enfarte do miocárdio, pé diabético, amputações dos membros inferiores e disfunção sexual, entre outras.
Quero destacar algumas particularidades relativamente às complicações da diabetes na mulher. Em primeiro lugar, o facto de o impacto da diabetes no risco de morte por doença coronária ser significativamente superior nas mulheres comparativamente com os homens. Na população geral, isto é, nos indivíduos sem diabetes, a doença cardiovascular desenvolve-se cerca de sete a 10 anos mais tarde nas mulheres do que em homens, mas ainda sim é a principal causa de morte em mulheres. E o risco de doença cardíaca nas mulheres é muitas vezes subestimado devido à perceção errônea de que as mulheres estão "protegidas" contra doenças cardiovasculares. O baixo reconhecimento das doenças cardíacas e as diferenças na apresentação clínica em mulheres conduzem a estratégias de tratamento menos agressivas e a menor representação de mulheres em ensaios clínicos. Podemos constatar que nos últimos grandes ensaios clínicos de outcomes cardiovasculares na diabetes, como o TECOS, SAVOR, EXAMINE, LEADER, EMPAREG, EXSCEL, entre outros, a percentagem de homens incluídos é na ordem dos 70% e apenas cerca de 30% de mulheres. Além disso, a autoconsciência das mulheres e a identificação dos seus fatores de risco cardiovascular precisam de mais atenção, o que poderá resultar numa melhor prevenção de eventos cardiovasculares.

VH | Até 70% dos casos de diabetes tipo 2 podem ser prevenidos com alterações no estilo de vida, sendo que as mulheres têm uma grande influência nas escolhas do estilo de vida da família. Que tipo de hábitos devem as mulheres adotar e fomentar no seio familiar?
 
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