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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pé diabético é a principal causa de internamento do portador de diabetes

Portela dr. Manuel20160408 068 47518


por: Manuel Azevedo Portela, 

podologista, presidente da Associação Portuguesa de Podologia,

 professor adj. do IPSN-CESPU 



Saúde

Cerca de 1/3 da população diabética desenvolve a médio prazo, após 10 anos do início da doença, patologias associadas ao pé diabético, a principal causa de internamento desta população e um grave condicionante à qualidade de vida destas pessoas. Em entrevista ao Vital Health, o presidente da Associação Portuguesa de Podologia, Manuel Portela, explica no que consiste o pé diabético, os seus sinais e sintomas, bem como as suas formas de tratamento.
Vital Health (VH) | Dá-se a designação de pé diabético aos diversos problemas do pé que ocorrem como complicação da diabetes. De que forma (manifestações) é que a diabetes pode afetar os pés?
Manuel Portela (MP) | O pé diabético é visto como a principal causa de amputação da extremidade inferior. Mais do que uma complicação da diabetes, deve ser considerado como uma condição clínica complexa, que pode acometer os pés e/ou tornozelos de indivíduos diabéticos. Assim, pode reunir perda da sensibilidade dos pés, a presença de feridas complexas, deformidades, limitação de movimento articular, infeções, amputações, entre outras.

VH | Como detetar os sinais de pé diabético atempadamente, antes de se tornar numa manifestação potencialmente perigosa?
MP | Sempre que exista diabetes mellitus, o doente tem que estar sempre alerta para qualquer alteração que aparece no pé. A presença de diabetes pode implicar a médio ou longo prazo o aparecimento de neuropatia, que se traduz pela diminuição de sensibilidade nos pés, aparecimento de formigueiros nos pés, presença de pés frios, pele seca e desidratada. Significa que o doente com diabetes tem que estar muito atento a estes sinais e à presença de calosidades, fissuras nos calcanhares ou entre os dedos, unhas grossas ou encravadas ou qualquer outra ferida ou lesão. Na presença de qualquer um destes sinais ou sintomas, o doente tem que recorrer obrigatoriamente a uma consulta com o seu médico assistente ou ao podologista.

VH | Considerando que a diabetes atinge cerca de 13% da população portuguesa, qual a extensão e impacto dos problemas associados ao pé diabético?
MP | Cerca de 1/3 da população diabética desenvolve a médio prazo, após 10 anos do início da doença, patologias associadas ao pé diabético, como seja neuropatia ou angiopatia. Estima-se que 15% dos doentes diabéticos desenvolvem uma úlcera nos membros inferiores durante os anos de doença e que 85% das amputações têm um historial de úlceras diabéticas. As complicações que ocorrem nos pés destes doentes vão proporcionar uma diminuição da qualidade de vida destes indivíduos e um grande custo aos serviços de saúde.
A taxa média de amputação do pé diabético em Portugal é de 5,4 por 100 mil habitantes. A zona norte do país tem uma taxa de 3,4 /100 mil habitantes, de acordo com o Observatório Nacional da Diabetes.
A morbilidade e mortalidade associadas ao pé diabético são preocupantes e têm um impacto na qualidade de vida dos doentes, da família e da economia.

VH| Como se trata o pé diabético?
(...)

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