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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quase metade da água tratada para uso humano é gasta em regas ou para lavar carros e ruas

Água
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por: Ana Suspiro
Dados do regulador ERSAR revelam que quase metade da água tratada para uso humano acaba por ser utilizada para fins menos nobres, como a rega ou lavagem de ruas e carros.
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Quase metade de água tratada para uso humano acaba por ser utilizada para outros fins como a rega de jardins, a lavagens de ruas ou até de viaturas. Estas são algumas das conclusões a retirar dos dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) referentes já ao ano de 2016, segundo os quais a água total consumida corresponde a cerca de 201 litros por habitante a cada dia. Mas a quantidade de água consumida per capita e faturada para uso doméstico pelas entidades gestoras representa 124 litros por dia. O resto da água tratada (quase 40%) é faturada a outras entidades que não famílias ou particulares, como empresas de indústria e serviços ou os próprios serviços autárquicos, e inclui os recursos usados para rega de jardins e lavagens de ruas ou viaturas, explicou ao Observador fonte oficial da ERSAR.

Para o presidente da entidade reguladora, Orlando Borges, a quantidade de água para o consumo das pessoas até é adequado, mas Orlando Borges considera, em entrevista à Antena 1, que a quantidade de água tratada que se usa para outros fins é um problema. Ou seja, estamos a “usar água, que é tratada e que tem um custo, para regar ou para a lavagem de veículos. Uma coisa é o consumo de água pelas pessoas que tem valores adequados, outra coisa é o consumo de água supletivo que quase duplica este. Quando estamos a lavar as ruas e a regar jardins estamos a usar água para um fim que não é nobre e que não carece de tanto investimento como se fosse para uso humano”, sublinhou o presidente do regulador.

As declarações de Orlando Borges surgem no contexto da seca, em que várias entidades, entre Governo e autarquias, estão a promover ações e campanhas para poupança de água, sobretudo junto dos consumidores domésticos. Mas o que estes números mostram é que quase metade (cerca de 40%) da água tratada e que está disponível na rede acaba por ter outros destinos que poderiam ser servidos com o recurso, por exemplo, a água reciclada. Outro dos problemas identificados na gestão da água é o elevado nível de perdas na rede que a nível nacional ainda ronda os 30% e que resultam sobretudo de ruturas que, por sua vez, são muitas vezes o resultado da falta de investimento na renovação das infraestruturas de abastecimento.

Lisboa lança plano para a seca, mas não controla freguesias

A Câmara de Lisboa foi uma das entidades que anunciou um plano de contingência com para responder à seca. Mas as medidas referidas — suspensão do funcionamento de fontes públicas, suspensão de rega nas áreas em redor das grandes vias rodoviárias e a redução da regra de zonas verdes geridas pela autarquia — mereceram já as críticas. Para o CDS, são insuficientes e não resolvem o “desperdício” deste recurso em tempo de seca.

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