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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Taxa das eólicas levou investidores a desistir de Portugal



Associação das Renováveis revela que duas empresas desistiram de investir em Portugal após proposta do Bloco
Não houve foguetes nas sedes das empresas de energia quando o PS chumbou a taxa proposta pelo Bloco de Esquerda. "Se um dia tentarem roubá-la e conseguir fugir sem ser roubada não vai abrir champanhe quando chegar a casa pois não?" É entre o alívio e a indignação que António Sá da Costa, presidente da direção da Associação de Energias Renováveis (Apren), reage ao desfecho da polémica "contribuição solidária" que pretendia cobrar 250 milhões de euros às produtoras de energia renovável. "Não fazia sentido nenhum, é não ter noção do que é o setor", sublinha.

Apesar de ter sido chumbada, a proposta dos bloquistas fez mossa. António Sá da Costa revelou ao DN/Dinheiro Vivo que duas empresas que se preparavam para investir no setor das renováveis em Portugal acabaram por recuar nas intenções. "Dois associados nossos iam investir cem milhões de euros de capitais próprios em parceria com investidores estrangeiros. Estamos a falar de um investimento total na ordem dos 300 ou 400 milhões de euros que já não vem. Um desses empresários estava desesperado porque já havia compromissos e caiu tudo. Não é só o dano que causa às empresas que está em causa, mas também a reputação do país", diz Sá da Costa.

Cerca de 90% do investimento em renováveis em Portugal vem de fora. Para a Apren, que tem 51 empresas associadas, a taxa defendida pelo Bloco de Esquerda, e que chegou a ter luz verde do PS, resultaria em danos irreparáveis para o país. "Fazendo as contas, e considerando as médias do setor, não tenho dúvidas de que quase todas as empresas iriam abrir falência se isto fosse para a frente." O problema? "Estaria a tributar-se as receitas e não os lucros. Logo, as empresas ficariam sem liquidez para fazer face aos compromissos", explica.

Citando um texto escrito "pelo constitucionalista Vital Moreira", António Sá da Costa afirma que, além dos danos reputacionais, a taxa teria custos acrescidos para o Estado. "O custo com indemnizações [resultantes dos processos judiciais] iria provavelmente ser maior do que a receita arrecadada com a contribuição."
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