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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Catalunha. A roleta russa de Espanha anda hoje à roda


por: Nuno Ramos de Almeida
 21/12/2017
 


A questão do nacionalismo catalão existe há muito tempo. De alguma forma, a transição para a democracia e a criação das autonomias em Espanha congelaram as tensões históricas. O recente chumbo do Estatuto da Catalunha em 2010 e, sobretudo, a crise social, que se viveu a partir de 2011, tornaram-na explosiva. As eleições de hoje não vão certamente resolver o problema



Nos anos 80 e 90, mais de 75% do votos dos eleitores concentravam-se na Convergência e União (CiU), uma coligação regionalista, de centro-direita, dirigida por Jordi Pujol, e no Partido Socialista Catalão (PSC), com uma vincada identidade catalanista. Apesar da grande maioria da população se ver como catalã, na altura o desejo dos eleitores por um Estado catalão atingia apenas os 10%.

As ruas da cidade podem contar parte de um conflito. Quando passo pela cidade velha de Barcelona com o fotógrafo Jordi Borràs, ele mostra-me uma zona onde, depois dos Borbouns terem invadido Barcelona, obrigaram os seus habitantes a destruir as suas casas pedra à pedra, “para mostrar quem mandava”, diz Jordi. Em muitos aspetos da sociedade e história catalãs esse conflito esteve presente: quando a língua catalã era proibida, quando exibir a seynera, a bandeira catalã, era crime. E até nas pequenas grandes coisas, como quando o Futebol Club de Barcelona foi fundado em 1899, seguiu-se rapidamente, como resposta, a Sociedade Española de Futebol, em 1900, que oito anos depois passou a Clube Desportivo Español, ao qual o rei Afonso XII concedeu o qualificativo de «Real».

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