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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Há um teste para detectar salmão transgénico e é português


 Alimentação
por: Teresa Serafim

20.Dezembro.2017



Um salmão-do-atlântico com genes de salmão-rei e peixe-carneiro-americano foi vendido para consumo este ano no Canadá. Enquanto isso acontecia, cientistas portugueses desenvolviam um teste genético para desvendar se um salmão era transgénico ou não.

Foto:  Salmões-do-atlântico com 18 meses: o maior é o transgénico e o mais pequeno é o que costuma ser criado em aquacultura
BARRETT & MACKAY/REUTERS

Este ano, o salmão transgénico começou a ser vendido no Canadá. Pela primeira vez, um animal geneticamente modificado estava a ser comercializado como comida no mercado. Mas esta decisão não foi consensual e grupos de ambientalistas e de retalhistas canadianos opuseram-se à venda, que nem precisou de rótulo para ser comercializado. Em Portugal, a observar tudo isto, estavam Filipe Pereira e a sua equipa, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto, que logo que este salmão foi aprovado para venda em 2015, neste caso nos Estados Unidos, pensaram: por que não fazer um teste genético para identificar se é transgénico? Assim fizeram e o seu teste para detecção de salmão transgénico é o primeiro a ser descrito e publicado numa revista científica.

O salmão transgénico de que falamos é o AquAdvantage e foi criado pela primeira vez pela empresa norte-americana AquaBounty Technologies. É um salmão-do-atlântico (Salmo salar) ao qual foi acrescentado um gene do salmão-rei (Oncorhynchus tshawytscha), uma espécie comum do Pacífico. Esse gene regula o crescimento das células musculares e faz com que o salmão cresça duas vezes mais depressa. Ainda se juntou um gene do peixe-carneiro-americano (Zoarces americanus), para que o seu crescimento não fosse só sazonal. Assim, o salmão transgénico pode chegar ao tamanho adulto ao fim de 16 a 18 meses, em vez dos normais 30 meses.


transgénicos já estão no

prato dos canadianos

Depois de uma longa batalha, o salmão AquAdvantage acabou por ser autorizado para consumo pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos em Novembro de 2015. “É tão apto para consumo e tão nutritivo como os outros salmões não transgénicos do Atlântico”, referia a FDA, a agência federal que regula os medicamentos e a alimentação nos EUA em comunicado, nesse ano. Contudo, esse salmão ainda não é vendido no país. Já no Canadá, a autorização para venda foi dada em Maio de 2016 pela agência governamental Health Canada e a Agência de Inspecção Alimentar Canadiana. E, este ano, chegou ao mercado canadiano.

 “Vendemos 4,5 toneladas no segundo trimestre de 2017 ”, diz ao PÚBLICO Dave Conley, representante da AquaBounty. Isto é apenas uma pequena fracção dos mais de dois milhões de toneladas de salmão-do-atlântico vendidos por ano em todo o mundo, segundo o jornal Financial Times. Dave Conley acrescenta ainda que neste momento o salmão transgénico não está à venda. E explica: “Fizemos apenas um teste de mercado porque temos uma produção limitada nas nossas instalações do Panamá de cerca de 30 toneladas por ano. Estamos a construir agora uma exploração de aquacultura para 250 toneladas no Canadá e a renovar uma de 1200 toneladas em Albany, nos Estados Unidos. A primeira produção dessas instalações deverá ser no quarto trimestre de 2019, se tudo correr de acordo com o calendário.”
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