[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Mercados municipais: que futuro?




4.DEZEMBRO.2017
 
Sobretudo em Lisboa, mas não só, o fenómeno dos mercados municipais parece ter vindo para ficar. Sejam com a oferta de restaurantes de chef ou, até mesmo, integrando insígnias da moderna distribuição como lojas-âncora, a realidade é que os antigos mercados estão a reconquistar os consumidores que haviam perdido. As fachadas exteriores mantêm-se, mas os interiores estão agora mais apelativos e com uma oferta diversificada. 

 
Primeiro foi na Boavista, em Campo de Ourique e no Cais do Sodré. Mais recentemente, no Bairro de Santos e em Alvalade. Todos estes locais têm algo em comum: deram nova vida aos seus mercados.

Os antigos mercados municipais estão mais modernos, têm novos fatores de atração e parecem estar a conquistar as gerações mais novas. O fenómeno multiplica-se em diversos locais, e com diferentes formatos, partilhando o desejo comum de trazer de volta aos mercados de bairro a vida e o tráfego que tiveram outrora.

Campo de Ourique
 
A 14 de abril de 1934, a Rua Coelho da Rocha via nascer o Mercado de Campo de Ourique. Bairro nobre e requisitado em Lisboa, Campo de Ourique é uma das zonas de excelência da capital que se mantém, ainda que dentro da cidade, como uma zona bairrista e de forte proximidade entre os locais.

Em 1973, o Mercado passava das mãos do empresário José Dionísio Nobre para a Câmara Municipal de Lisboa, mantendo-se como local de eleição para todos aqueles que quisessem comprar peixe, frutas ou legumes de qualidade, no ritual “antigo” de “ir à praça” ou “ir ao mercado”. Foi com o aparecimento das grandes superfícies comerciais, hipers, supermercados e mais tarde os centros comerciais, como é o caso do seu vizinho Amoreiras, que a cultura de ir ao mercado se foi perdendo. A conveniência de poder ir a um local onde, para além dos frescos, se pode comprar tudo o resto levou a que uma grande maioria dos consumidores abandonasse os mercados em detrimento dos supers e hipermercados.
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