[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

SuperNanny, a nova Casa dos Horrores


 
por: Laurinda Alves
A SIC aposta nesta mulher e nos seus supostos conselhos porque sabe muito bem os frutos que quer colher. E o que quer é aproveitar-se das fraquezas humanas para a devassa da vida privada.

Acho o conceito do programa SuperNanny uma aberração total. Sei que não estou sozinha, mas também sei que a direcção de programas da SIC insiste em manter a série no ar. Contra tudo e contra todos, assume publicamente que só lhe importam números, shares, lucros, likes e afins. Dinheiro, montra e casa cheia, quero dizer. Mais nada.

As crianças e os seus direitos pouco importam. Aliás, não importam rigorosamente nada, e a prova é a surdez total perante vozes como as de responsáveis da Unicef e do IAC, bem como a de Rosário Farmhouse, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos das Crianças e Jovens (CNPCJ) e de Eduardo Sá, psicólogo, entre tantos outros que tentam a todo o custo sensibilizar a direcção de programas para os maus tratos que as crianças sofrem durante a exposição televisiva e se podem perpetuar depois, no seu quotidiano, quando estão em família, na escola, na rua ou no centro comercial, onde passam a ser reconhecidas e apontadas a dedo.

A lógica implacável dos donos da SIC e dos (ir)responsáveis por estes programas é: tudo o que concorra para aumentar as audiências, a SIC quer e a SIC faz. Acham, naturalmente, que a SIC pode. Se calhar até pode, mas não deve. Mesmo quando os patrocinadores desistem logo após o primeiro episódio e deixam de apoiar o programa, a estação não recua nem vacila. Muito pelo contrário, redobra a aposta.

Corine de Farme, a marca que tinha o patrocínio principal do programa SuperNanny retirou todo o apoio argumentando que “o tumulto social em torno do mesmo não é compatível nem com a imagem da nossa empresa, nem com os nossos objectivos comerciais”. Ainda bem que há marcas destas, com gestores como estes. Ainda bem que nem todos são como estes senhores da SIC, que investem em arenas inconcebíveis em que os novos gladiadores são pais e filhos a lutarem entre si (em lutas desiguais, note-se) ultrapassando muitas vezes todas as fronteiras racionais.

(...)

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