[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Bombeiros nunca vistoriaram edifício que era uma bomba-relógio





Tragédia em Tondela



Edifício onde oito pessoas morreram tinha portas trancadas, materiais perigosos, zero vistorias e uma licença que a câmara ignora existir. Associação de Vila Nova da Rainha tem mais de 30 anos e foi sendo construída com o voluntarismo dos sócios.


Foi em “breves instantes” que a cobertura do salão onde cerca de 70 pessoas jogavam à sueca entrou em combustão e precipitou a tragédia que matou oito pessoas na Associação Recreativa de Vila Nova da Rainha, Tondela, na noite de sábado. Bastaram “alguns segundos” para o tecto entrar em colapso. Os participantes tentaram fugir e precipitaram-se para as escadas que dão acesso ao rés-do-chão. Desorientados pelo fumo e com pedaços da cobertura a cair-lhes em cima, muitos acabaram amontoados e esmagados junto a duas portas: a que dava acesso ao exterior, mas que estava trancada, e a que permitia a ligação para outro salão já no piso térreo, mas que só abria para dentro. Foi assim que os bombeiros, que nunca vistoriaram este edifício nem depois das obras que o mesmo sofreu há uma década, os encontraram quando chegaram ao local. Um cenário de corpos amontoados.

O tecto falso que desabou estava revestido de material altamente combustível (poliuretano expandido) que, em contacto com o tubo de exaustão de uma salamandra instalada no salão do primeiro piso, provocou o que todos consideraram ser uma “situação catastrófica”. Além das oito vítimas mortais — sete homens e uma mulher, quatro deles residentes naquela freguesia —, a tragédia provocou ainda um total de 38 feridos, dos quais 18 estão internados em estado considerado grave nos hospitais de Viseu, Coimbra, Lisboa e Porto. A maior parte das vítimas tinha entre 60 a 70 anos.

O tubo passava pelo meio de um tecto falso construído com placas de gesso cartonado e com isolamento em lã de rocha. Por cima desse tecto falso existia uma cobertura em chapa que estava revestida com poliuretano, um material de combustão rápida. O fogo terá começado precisamente entre a parte superior deste tecto falso e o revestimento térmico da chapa da cobertura.

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