[ Director: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano X

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Estão a aumentar os acumuladores compulsivos de animais



Síndrome de Noé está a crescer em Portugal. Há quem junte cem gatos num T0. PAN preocupado quer combater o problema.

Quando a proposta de resolução do PAN chegou ontem à Assembleia da República, o espanto da maioria dos deputados era geral. Poucos tinham ouvido falar da síndrome de Noé, essa perturbação mental que leva as pessoas a acumular, compulsivamente, animais em casa, mesmo sem terem condições para isso. Aliás, até no seio do PAN - Pessoas-Animais-Natureza o tema só ganhou dimensão para os membros quando o assunto lhes bateu à porta - literalmente.

Cristina Rodrigues lembra-se bem do dia em que o assunto tomou conta da sede do partido, na Rua Almirante Reis, em pleno centro de Lisboa. "Tínhamos uma vizinha, que até costumava passar pela sede do PAN e falar connosco sobre os animais. Sabíamos que tinha alguns gatos, mas nunca imaginámos que a situação fosse como era": mais de cem gatos enclausurados no apartamento de quatro assoalhadas, alguns já cadáveres, todos a conviverem com falta de condições de higiene e salubridade.

"Na verdade nós percebíamos que a senhora tinha alguns problemas, mas qualquer um de nós estava longe de imaginar a dimensão daquele caso. Acumulava em casa todos os gatos que encontrava, na cabeça dela fazia o melhor por eles, pois bastava-lhe gostar dos animais e alimentá-los", lembra Cristina Rodrigues, membro da comissão política nacional do PAN. Naquele dia, a reunião foi interrompida por uma agente de execução que se encarregava da ordem de despejo, pois a detentora dos animais deixara de pagar a renda. Soube-se mais tarde que vivia também sem água e sem luz, ambas cortadas por falta de pagamento.

"Desde então temos recebido imensas denúncias de situações como essas, que acontecem cada vez mais e por todo o país", contou ao DN Cristina Rodrigues, que tem ainda na memória os casos recentes de Câmara de Lobos, na Madeira, em meados de dezembro (cerca de 50 cães retirados de uma casa onde moravam três idosas), ou de Santo Tirso, onde o Departamento de Ação Penal do Porto moveu um processo-crime aos proprietários de dois abrigos de animais, com centenas de cães.

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