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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Figueira da Foz - Fatura anual da água da câmara atinge o dobro do valor da renda da concessão


por:  Jot’Alves
In Diário “AS Beiras”, 09.Jan.2018




A Câmara da Figueira da Foz paga cerca de 650 mil euros de água por ano, ou seja, metade do que, em média, recebe pela renda da concessão (356 mil euros). Questionado pelo DIÁRIO AS BEIRAS sobre medidas a tomar para corrigir o saldo negativo, o gabinete da presidência esclareceu que “a renda não serve para pagar serviços, tem como objetivo remunerar os ativos cedidos e o direito de explorar em regime de concessão”. Por outo lado, acrescentou, “a renda teve uma estrutura degressiva”, dando os exemplos dos dois primeiros anos – cerca de 3,5 e 1,7 milhões de euros, respetivamente –, tendo estabilizado com a terceira alteração ao contrato.

De que forma pode ser reduzida a fatura da água consumida pelos serviços municipais? O gabinete indicou o combate às perdas. “A autarquia está, sobretudo, focada na diminuição das perdas na rede de distribuição. Este objetivo tem sido alcançado pelo trabalho sistemático, feito ao longo dos últimos anos, com investimentos na remodelação da rede de distribuição”, frisou.

Por outro lado, apurou entretanto o DIÁRIO AS BEIRAS, foi lançado um concurso para aquisição de sensores de rega de espaços públicos, para que a água seja apenas acionada quando realmente é necessária. O sistema, que custa 33 mil euros, destina-se a Buarcos e vai funcionar a título experimental. Se resultar, aplicar-se-á a outras zonas.

A água da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Fontela, disponível a custo zero, podia ser utilizada para rega, mas os custos da construção de infraestruturas (condutas, bombagem, depósitos) afasta aquela possibilidade, sustentou o gabinete da presidência.

O efluente tratado da ETAR urbana, no entanto, ressalvou, tem sido utilizado na rega das zonas verdes do espaço envolvente e na lavagem de alguns equipamentos. Por sua vez, os autotanques dos bombeiros não devem utilizar aquele tipo de águas, por razões de saúde pública, já que também transportam água potável, defendeu.

Aumento do preço

O pagamento da Águas da Figueira à autarquia é baseado nos lucros. Na câmara, há quem suspeite que o lucro é deliberadamente diminuído a favor da concessionária, através da contratação de serviços a empresas acionistas do grupo. O diretor-geral da empresa, João Damasceno, porém, garantiu que tudo é feito com transparência.

 “A Águas da Figueira apenas tem contratos com prestadores de serviços externos (acionistas, ou não) para a realização de serviços que ou não consegue fazer internamente ou não consegue fazer de forma tão eficiente”, afiançou o gestor da concessionária. Acerca da fatura que a câmara paga à Águas da Figueira, João Damasceno advogou que “importa combater o desperdício”. E acrescentou: Nesse sentido, da análise que fazemos aos diversos tipos de consumo de água pelo município, sejam eles de edifícios públicos, escolas, piscinas, regas, cemitérios e parque de campismo, ao longo dos últimos anos, regista-se que tem havido um esforço na redução do desperdício de água, os quais carecem de estratégias diferenciadas, consoante o tipo de utilização”.

Por outro lado, sustentou que o “consumo racional de água é um investimento para o bem-estar dos cidadãos e para a cidade”. Até porque o preço não para de aumentar: este ano, os figueirenses, sujeitos a uma das mais altas tabelas de preços do país, vão pagar mais 0,9 por cento. Contudo, o aumento fica abaixo da taxa de inflação prevista, que deverá chegar a um por cento.
  

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