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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Fiscalização falhou em Tondela como falha "muitas vezes" em todo o país


por: Ana Dias Cordeiro

 15.Janeiro.2018

Tragédia em Tondela

As licenças são aprovadas a partir de vistorias feitas. Mas "há imprevidência, falta de cuidado e rigor", diz o engenheiro João Appleton. "Criam-se condições para situações muito perigosas."




Na tragédia deste fim-de-semana em Tondela, a primeira coisa a correr mal foi o tecto ser feito de material inflamável numa sala onde uma salamandra, que habitualmente aquece muito, funcionava numa noite muito fria. “A utilização de materiais feitos com recurso a material plástico, muitas vezes derivados do petróleo”, é “absolutamente contra-indicada em grandes espaços ou espaços utilizados por muitas pessoas”, diz o engenheiro e ex-professor universitário António Segadães Tavares.

“O desconhecimento das pessoas que criaram aquela associação recreativa é notório. Vir exigir a intervenção de um técnico especialista é ilusório. A falta de recursos financeiros ou o desconhecimento [dos materiais seguros] é apenas parte do problema.”

numa 
comunidade 
onde todos se 
conheciam

A segunda coisa a correr mal — e para Segadães Tavares, o problema principal — foi a impossibilidade de as pessoas saírem com facilidade. Uma e outra coisa representam, para Fernando Nunes da Silva, “erros inadmissíveis” em locais onde se juntam pessoas, como este onde funcionava a associação recreativa de Vila Nova de Rainha e onde conviviam dezenas de pessoas que jogavam às cartas ou viam um jogo de futebol na televisão. A investigação da Polícia Judiciária, que está no local, coloca à partida dois cenários possíveis: homicídio por negligência ou infracção das regras de construção.

Incumprimento em "milhares" de espaços

Segadães Tavares, especialista e projectista da recuperação do Chiado depois do incêndio de Agosto de 1988, evoca a perigosidade dos espaços públicos e de grandes dimensões, e recorda ocasiões noutros países, por exemplo em discotecas onde, deflagrado o fogo e “em pânico, as pessoas se atropelam na fuga”.

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