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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Há uma “confusão global” à volta das alergias alimentares e Inês quer acabar com isso


 Texto de Renata Monteiro

 25/01/2018

 
 

Doutoramento


Inês Pádua, 26 anos, quer ajudar a perceber os perigos e as delicadezas das alergias alimentares. Para o seu doutoramento, criou um curso gratuito, para quem tem de as conhecer, ao qual se junta um site de "receitas sem alergias", para quem tem de viver com elas

 Nelson Garrido
 

Há pessoas com alergias alimentares graves que não pensam sequer em comer em restaurantes ou viajar: a simples abertura de uma lata de amendoins num avião em pleno ar poderia ser o suficiente para terem uma reacção alérgica. Tal como gostariam de dizer aos cozinheiros que não basta passar um pano numa faca anteriormente usada para cortar queijo e depois fatiar um pão para evitar a contaminação de um alimento, avisa Inês Pádua, doutoranda em Ciências do Consumo Alimentar em Nutrição, na Universidade do Porto (UP). “Mesmo não sendo o ideal, este tipo de situações talvez passem nos critérios sanitários dos estabelecimentos de restauração”, diz a nutricionista de 26 anos. Mas num doente com alergia alimentar ao leite e derivados "podem ter consequências muito graves ou até fatais".

É esta “falta de informação enorme”, geradora de uma “confusão global” à volta de uma doença que tem vindo a aumentar em crianças e jovens portugueses, que Inês decidiu começar a combater, logo no segundo ano do curso de Nutrição, em 2013, na Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto (FCNAUP).

Agora, licenciatura terminada e doutoramento com fim marcado para este ano (e em parceria com a Faculdade de Medicina da UP), a investigadora do Porto prepara-se para apresentar a segunda edição de um dos projectos da sua investigação: um curso, online e gratuito, direccionado aos profissionais nas escolas e estabelecimentos de restauração — mas aberto a toda a gente —, sobre como agir perante alergias alimentares.

A próxima edição deverá ser lançada entre Fevereiro e Março de 2018, com o apoio da Reitoria da UP. O objectivo é "ter uma comunidade informada" e dinamizar a aprendizagem através de vídeos animados de cinco minutos, que serão lançados aos pares, todas as semanas, durante um mês. Na primeira edição, inscreveram-se 695 pessoas das quais 400 concluíram o curso, então disponível na plataforma de e-learning da UP, um resultado que Inês assinala como "muito positivo".

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