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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Queixas dos doentes aumentam mas castigos a médicos são os mesmos



Ordem abriu 817 processos até outubro, mais do que nos anos anteriores - em 2016 foram 733. Maioria das queixas são arquivadas
Há mais médicos a serem alvo de processos disciplinares pela Ordem dos Médicos. Em 2017, as três secções regionais da OM abriram 817 processos até outubro, o que significa que em dez meses o número superou o total de 2016 que se cifrou em 629. Apesar do aumento, o arquivamento continua a ser o principal destino dos processos. No ano passado foram aplicadas 32 sanções: houve quatro médicos suspensos, 23 alvo de censura e cinco que mereceram uma advertência. Em 2016, as 31 sanções traduziram-se em dois médicos expulsos, três suspensos, 21 alvo de censura e 5 advertidos.

"Os processos estão a aumentar devido às condições de trabalho atuais, que levam ao aumento da litigância entre médicos e utentes", considera Miguel Guimarães, bastonário da OM, que diz já ter alertado o ministro da Saúde para este aumento de conflitualidade.

Por um lado, a relação entre médico e doente é muito curta. "Para exercer medicina de qualidade os médicos não podem ter 30 ou doentes para atenderem numa manhã. Nem um médico de família pode ter tantos doentes. Assim, estes conflitos vão continuar a existir", aponta Miguel Guimarães., lembrando que também as agressões a médicos e outros profissionais de saúde "têm aumentado", fruto desta conflitualidade que, no seu entender, é provocada pelo sistema. "Já fizemos chegar ao ministro da Saúde a nossa preocupação. É preciso ter atenção."
Com este volume de trabalho, os médicos "ficam exaustos e já não têm a atenção devida. A relação que devia ser de empatia entre médico e doente não se estabelece. Quando ela existe, uma falha é facilmente compreendida Se não existir, qualquer pequeno erro leva a uma queixa. A maior parte das queixas tem a ver com a educação. Com a forma como se fala."

(...)

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