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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sereias. A moda de verão que já levou as autoridades a emitirem um alerta

por: Joana Marques Alves
 08/01/2018
 

Vários brasileiros já morreram afogados devido ao uso de caudas de sereia. Moda surgiu a partir de uma telenovela na qual uma das personagens tinha um fascínio por estes seres

 Shutterstock


O frio e a chuva têm feito muitos estragos na Europa e na América do Norte: a tempestade Eleanor já fez vários mortos e feridos em Espanha, França e Inglaterra. Em Portugal, o mau tempo levou a Direção-Geral da Saúde a alertar para as descidas de temperatura durante o fim de semana passado e a deixar várias recomendações à população. No entanto, o tempo quente já chegou a outras partes do mundo e com ele vieram as modas de praia. Se no verão passado as praias portuguesas estavam cheias de fatos de banho com ananases e boias em forma de flamingo, no Brasil, a tendência são as caudas de sereia. Mas esta moda esconde vários perigos e até já levou as autoridades a lançarem um alerta.

Tudo começou com a telenovela “A Força do Querer”, transmitida em Portugal na SIC. Uma das protagonistas, Ritinha (interpretada por Isís Valverde), tem um fascínio por sereias e pela forma como estas conseguem dominar os homens. Esta personagem tornou-se uma das mais faladas no Brasil, e a moda das caudas de sereia – usadas na telenovela – a nova tendência nas praias.

Florescentes, com purpurinas, mais ou menos vistosas, todas as meninas e mulheres queriam exibir a sua nova cauda no areal. Foi até criado o termo “sereismo”, um estilo em que as peças de roupa, os acessórios e até a decoração da casa se inspiram no universo das sereias. Mas nem tudo é cor-de-rosa: se, por cá, os flamingos e os ananases eram inofensivos, os brasileiros veem-se a braços com um novo problema de segurança – segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), estas máscaras já estiveram na origem de casos de afogamento. A sua forma limita o uso dos membros inferiores, o que faz com que, em caso de aflição, a pessoa tenha dificuldades em nadar e combater a corrente ou as ondas.

Por isso, o Inmetro lançou uma campanha que alerta para o risco de morte provocado pelo uso das caudas de sereia. “Estudos realizados pelo Instituto apontaram, em todos os cenários considerados, para o risco grave associado à cauda de sereia, destacando o facto de o seu uso poder levar ao afogamento e à morte. Para discutir o tema, o Inmetro criou ainda uma comissão técnica formada pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a ONG Criança Segura Safe Kids Brasil”, lê-se no artigo publicado, no passado dia 28 de dezembro, no site do instituto brasileiro.
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