[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

De Eça de Queirós a… Lobo Antunes, Sem evolução… e as Companhias imunes!

Cortaram a água ao… Eça!

Até tu, Eça?

É reveladora dos “crimes de antanho e dos actuais” a carta-imprecação de Eça de Queirós ao director da Companhia das Águas de Lisboa, Senhor Pinto Coelho, a um tempo, chefe do Partido Legitimista português.
“Dois factos igualmente graves e igualmente importantes, para mim, me levam a dirigir a V. Ex.ª estas humildes regras: o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.
Abundam os Carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Ex.ª, a responsabilidade da canalização e a do direito divino.
Se eu tiver fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Ex.ª, que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu interponha nas relações de sensibilidade de V. Ex.ª com o Mundo externo; e que essas lágrimas benditas de industrial e de político caiam na minha bandeira!
E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Ex.ª o permite, dos nossos contratos. Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Ex.ª  e por mim, temos nós – um para com o outro – um certo número de direitos e encargos. Eu obriguei-me, para com V. Ex.ª, a pagar a despesa de uma encanação, o aluguer de um contador e o preço da água que consumisse.
V. Ex.ª fornecia, eu pagava. Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato; eu, se não pagar, V. Ex.ª, se não fornecer.
Se eu não pagar, faz isto: corta-me a canalização.Ler + ()

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