[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII

terça-feira, 5 de maio de 2020

Ricardo Silva defende fim da concessão da água


O vereador do PSD Ricardo Silva viu ontem a sua proposta de isenção de pagamento da água e saneamento para consumidores domésticos residentes no concelho e empresas ser reprovada, na reunião de câmara. Votaram contra os seis vereadores do PS e o vereador eleito pelo PSD Miguel Babo (com a confiança política retirada pelo partido). Carlos Tenreiro (cabeça de lista do PSD à autarquia, também com a confiança política retirada) absteve-se.
No debate, o autarca da oposição defendeu o fim da concessão. “É tempo de acabar com a concessão. Esta concessão está a prejudicar os figueirenses. Acho estranho que ninguém queira acabar com a concessão e devolver a água aos figueirenses”, defendeu o vereador do PSD.
Se o contrato fosse denunciado pela autarquia, ripostou o presidente da câmara, Carlos Monteiro, “não sobrava dinheiro para os figueirenses”.
Ricardos Silva foi alvo de fortes críticas e reparos por parte dos vereadores do PS, que até o acusaram de mentir e fazer demagogia política, além de considerarem a proposta mal fundamentada, além de defender a isenção de pagamento para todos, incluindo os que não têm os seus rendimentos afectados pela crise económica derivada da pandemia.
Isto, argumentou ainda Carlos Monteiro, indo contra as recomendações do regulador.
Miguel Babo e Carlos Tenreiro também criticaram a alegada falta de fundamentação, mas elogiaram a iniciativa, ao ressalvarem que aquela fora a primeira proposta da Concelhia do PSD, a que Ricardo Silva preside, desde o início do mandato.
Auditoria com uma condição
O proponente queixou-se que se a proposta não continha mais elementos, nomeadamente o impacto financeiro (revisto em baixa, de 2,5 milhões de euros para 2,3 milhões, em relação ao valor avançado ao DIÁRIO AS BEIRAS na semana passada, e quem os pagaria – o município) com a falta de resposta aos pedidos de informação por parte da autarquia.
Ricardo Silva acusou ainda o PS de estar ao lado da concessionária Águas da Figueira, e afirmou que “o director geral da concessionária”, João Damasceno, “manda na câmara”.
A maioria socialista regressou ao passado para relembrar Ricardo Silva que foi ela que fez a revisão ao contrato herdado do PSD que permitiu reformular os escalões de consumo e criar tarifários sociais e para famílias numerosas.
O vereador da oposição insistiu na necessidade de se fazer uma auditoria ao contrato de concessão.
Carlos Monteiro concordou, mas com a condição de que o autarca da oposição escreva, “ponto por ponto”, o que encontrar em incumprimento.
Disparam dívidas à concessionária
Contactado pelo DIÁRIO AS BEIRAS, João Damasceno sustentou que a proposta de Ricardo Silva “tem alguns problemas de ilegalidade e acaba por ser discriminatória”.
Quanto ao resto, defendeu: “É um assunto político que não nos compete comentar”.
O gestor frisou, por outro lado, que os consumidores têm, no contexto da pandemia, acesso a moratórias e planos de pagamento de longa duração.
Antes da crise económica provocada pelo novo coronavírus, havia 70 dívidas de consumidores e, ontem, revelou João Damasceno, eram 500. J.A.

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