[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cereais integrais ajudam a combater cansaço matinal

As fibras e os hidratos de carbono necessários à actividade diária podem ser encontrados nos cereais integrais.

Vários estudos comprovam que um pequeno-almoço saudável, rico em hidratos de carbono e em fibras acaba com a preguiça matinal, e confere a energia necessária às actividades diárias. Nesse sentido, os cereais integrais, que à primeira vista podem parecer apenas mais escuros e com um sabor mais intenso do que os refinados, contêm de facto uma riqueza nutricional capaz de nos dar energia sem aumentar a carga calórica da nossa alimentação.
Os cereais integrais apresentam um conjunto de nutrientes difícil de encontrar noutros alimentos, nomeadamente a nível da energia: hidratos de carbono simples (açúcares) e complexos (amido) - e fibras, funcionando como uma "descarga positiva e gradual de energia" que ajuda a superar a inércia matinal e se mantém ao longo da manhã.
Quando se ingere uma taça de cereais de pequeno-almoço, uma fatia de pão escuro ou três biscoitos integrais, o organismo obtém os dois tipos de hidratos de carbono (simples e complexos), que trabalham em equipa para manter o corpo activo durante a manhã.
No fundo, funcionam como se fizessem uma corrida de estafetas em que os hidratos de carbono simples, conhecidos por "açúcares simples" partem à frente, chegando ao sangue muito rapidamente (em cerca de 20/30 minutos), onde ficam disponíveis para serem usados de imediato como energia. Mas logo em seguida, quando as tarefas diárias obrigam ao consumo de energia, os hidratos de carbono mais complexos, como o amido, de digestão mais lenta, acabam também por chegar ao organismo, garantindo uma reposição constante da energia.
A boa fama dos cereais integrais deve-se também à sua riqueza em fibras, que, segundo a Organização Mundial de Gastrenterologia, nas suas Digestive Health Guidelines, são essenciais à saúde e que ajudam a uma digestão mais lenta. Também é muito positiva a sua forte componente de vitaminas do complexo B, muito importantes para que o organismo possa extrair dos hidratos de carbono a energia de que precisa, e proteínas, fundamentais como matéria-prima para o crescimento mas também para a permanente renovação dos milhões de células do nosso organismo.
Contudo, apesar dos cereais integrais serem uma excelente ajuda, a falta de exercício físico também pode aumentar a inércia matinal. O ideal é começar o dia com uma actividade desportiva seguida de um pequeno-almoço rico em cereais integrais. Está comprovado que um estilo de vida saudável - alimentação variada e a prática de actividade física - ajudam a estar mais bem disposto e com vitalidade para encarar o dia-a-dia.
2008-09-03
In “Sapo Notícias” – Saúde

terça-feira, 17 de junho de 2008

Micotoxinas: nada de inquietante, mas …

CENTRO de ENSAIOS
Os teores de micotoxinas, toxinas produzidas por bafios*, nas quais algumas são potencialmente cancerígenas, são fracos.

Uma melhoria comparada com o ensaio de 2003 que esteve na origem do sinal de alarme.
Uma contaminação inquietante havia sido anunciada em Janeiro de 2003.
Tínhamos, com efeito, detectado em cereais dos pequenos-almoços quantidades às vezes importantes de micotoxinas. Estes últimos são segregados por bafios que podem desenvolver-se sobre os géneros antes, durante ou após as colheitas. Há quatro anos, tínhamos procurado três: a ochratoxina A (OTA), a citrinina e a fumonisina B1. Vários resultados tinham-nos levado a dar o sinal de alarme. Metade dos nossos cereais estava contaminada pela OTA, e quatro entre eles traziam mais que a dose diária tolerável (DDT) para uma criança de 20 Kg. Para a citrinina, um produto dos cinco continha vestígios.
Por último, tínhamos encontrado fumonisina B1 num caso com superação da DDT.
Toxinas sob vigilância
Quatro anos mais tarde, perseguimos de novo as micotoxinas, alargando o nosso espectro. Comecemos por recordar porque estas micotoxinas estão sob vigilância.
A OTA é classificada pelo Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (Circ) como «potencialmente cancerígena para o homem». É suspeita nomeadamente de estar implicada em cancros do rim e da bexiga.
A citrinina ingerida isoladamente não provoca cancro, mas pode exacerbar o efeito tóxico e cancerígeno da OTA, ora, duas micotoxinas desenvolvem-se sobre os mesmos produtos e nas mesmas condições, estudos mostraram que esta contaminação amplifica os efeitos sobre o rim dos animais e aumenta o aparecimento de tumores. Parece que funciona do mesmo modo para o homem, de acordo com um estudo conduzido na região dos Balcãs, onde se combate uma nefropatia [patologia do rim] endémica.
As principais fumonisinas são as FB1, FB2 e FB3. É sobretudo o FB1 que atrai a atenção porque representa 70% do total das três fumonisinas e que é também classificada como “potencialmente cancerígena para o homem” com o rim e o fígado como órgãos-alvo.
A Zéaralénone é capaz de alterar a secreção das hormonas do porco e de perturbar a fertilidade no homem.
Suspeita-se que tenha implicação em fenómenos de puberdade precoce que afectam vários milhares de crianças da ilha de Porto Rico, sendo também capaz de estimular o crescimento de células cancerígenas da mama.
Os trichothecenos colocam um problema nas criações, pois podem, nomeadamente, tornar os animais mais sensíveis às infecções. Mais frequentes são o desoxinivalenol (DON) e as toxinas T2 e HT2, mas, ao contrário das micotoxinas evocadas acima, os trichothecenos opõem-se mal aos métodos de transformação. Resultado: as doses encontradas nos alimentos não provocam nenhum efeito nefasto para o homem.
Uma FRACA CONTAMINAÇÃO
Boas notícias! No conjunto, a contaminação por micotoxinas é fraca. No entanto, desejamos distinguir ordenando os casos da figura como: “muito bem”, para uma ausência total micotoxinas; “bem”, para muito fraca presença; e “aceitáveis”, para uma presença bastante fraca, inferior aos limites regulamentados. Também se tiveram em conta as sinergias conhecidas entre certas micotoxinas que prejudicam os produtos aos quais estão associadas.
Em cada uma das categorias, os produtos não são apresentados por ordem alfabética, mas em função das suas notas. Aceitáveis: 10 a 13; bem: 13 a 16,5; muito bem: 17 e mais.
MUITO BEM
• Frosties Grrr
BEM
• Tom e Pilou pétalas choco (Casino)
• Rik e Rok Jumblies qualquer chocolate (Auchan)
• Cereais chocolatados forrados chocolate (U)
• Polegada arroz soprado ao chocolate (Auchan)
• Choco surf (1 de Encruzilhada)
• Pétalas de trigo ao chocolate (Cora)
• Frosties
• Crunch cereais
• Weetos chocolate
• Kids pétalas chocolate (Encruzilhada)
• Chocapic
• Nesquik cereais
• Sinalizar choco (Preço líder)
• Dia Choco balls
• Tumador Chokobille (Intermarché)
• Mel Pops
• Pétalas de trigo ao chocolate (Aldi)
• Chocos
• Little man, choco moons (LidL)
• Chokella
ACEITÁVEL
• Nateo
• Réva Kid Héro (Intermarché)
• Smacks
• Arroz soprado ao chocolate Eco+ (E. Leclerc)
• Smacks Trésor tout choco
• Coco Pops
• Brin de jour céréales fourrées (E. Leclerc)
• Lions céréales
• Cookie Crisp
Os resultados das nossas análises traduzem uma melhoria para ochratoxine A e a citrinina. Encontramos a estreia em vinte de cada trinta referências. Mas o teor mais elevado é de 0,175 de micrograma por quilo (µg/kg) contra 8,9 µg para o produto mais contaminado em 2003! Este teor máximo é, além disso, conforme à regulamentação que impõe menos de 3 µg/kg de OTA para os produtos derivados dos cereais.
A mesma coisa para a citrinina, cujo teor máximo era de 42 µg/kg em 2003, e apenas 1,83 µ/kg em 2007.
Treze produtos contêm, onze dos quais apresentaram também OTA.
Limiares nem sempre respeitados
Para as fumonisinas, as notícias são piores, porque a quantidade média está a aumentar em relação a 2003, mas não temos valores extremos, o teor máximo é de 160 µg/kg, ou seja, abaixo do limiar regulamentado de 400 µg/kg.
Sublinhemos de passagem que encontrámos fumonisina B1 em nove produtos que contêm outros cereais para além do milho, mas tínhamos feito uma constatação similar em 2003.
Pode, por conseguinte, surpreender-se que o regulamento se limite ao milho, nós detectámos zearalénona em onze produtos, com, para um deles, (Nateo), um teor de 21,9 µg/kg. O teor de zearalénona continua a ser inferior ao limiar de 50 µg/kg fixado para os cereais do pequeno-almoço;
O produto, por conseguinte, conforme, mas este teor é superior ao limiar de 20 µg/kg previsto para as preparações à base de cereais destinados às lactantes e crianças de idade inferior.
Atenção “às crianças”.
Sempre que possível, confrontámos, com efeito, os nossos resultados com os limiares específicos estabelecidos para as crianças de idade mais baixa [menos de 3 anos].
Os cereais do pequeno-almoço podem, com efeito, ser consumidos muito cedo, em especial o Nateo, que se dirige “às crianças de mais tenra idade”, com os cereais na forma de letras do alfabeto, não é conveniente consumir em excesso, mas sobre o conjunto dos nossos resultados é o único caso de superação de um destes limiares específicos.
No que respeita aos trichothécenos, por último, encontramos bem DON em vinte e cinco produtos, mas a doses muito fracas, que confirmam que esta família não apresenta um risco de toxicidade para o homem.
Não por isso tida em conta a da sua presença para a nossa classificação geral (ver o nosso quadro acima).
*BAFIOS - a exposição aos bafios é vasta e não é sazonal - têm efeitos alérgicos como os ácaros, poeiras, etc., desenvolvem-se por toda a parte e nos alimentos em decomposição. Libertam para a atmosfera milhares de esporos microscópicos. Encontram-se nas nossas casas em todo o lado e, para não aumentar a concentração, deve controlar-se a humidade na casa que não deve exceder os 60%.
Tradução: Jorge Manuel Portugal Frota
“60 Millions de Consommateurs” - Septembre 2007 / n°419

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A alta dos cereais e o futuro da avicultura eficiente...

Nos últimos dois anos assistiu-se, a nível mundial, a um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura de cereais e oleaginosas. Em consequência, os preços dos bens alimentares experimentaram uma subida substancial (o milho, por exemplo, passou de 120 para 260 euros por tonelada), sem que, todavia, tenham atingido, em dólares constantes, os máximos históricos registados nas décadas de 1970 e 1980.

O actual desequilíbrio decorre, por um lado, da quebra da produção, devida às secas prolongadas ocorridas na Austrália e noutros países e às políticas agrícolas seguidas na Europa e responsáveis pelo primeiro défice em cereais registado depois da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, resulta do concomitante aumento da procura, devido à crescente produção de biocombustíveis, com relevo para o etanol produzido a partir do milho nos EUA (anote-se que um litro de etanol contém menos energia do que a utilizada na sua produção) e, muito especialmente, à melhoria substancial da dieta alimentar das populações da Ásia emergente. De facto, as altas taxas de crescimento económico alcançadas na China e na fndia têm-se reflectido na subida do poder de compra e as respectivas populações tendem prontamente a adoptar uma balança alimentar semelhante à dos ocidentais,mormente no que concerne ao incremento da componente de origem animal (carne, leite, ovos) e, por conseguinte, pressionam a subida do preço dos cereais e das oleaginosas utilizados em alimentação animal.
A actual situação, atrás descrita a traços largos, é verdadeiramente dramática para muitos países em desenvolvimento, designadamente em África, que sofrem problemas de subnutrição gravíssimos.
Mas, por outro lado, irá certamente estimular a produção de cereais e oleaginosas, bem como a produção animal em moldes eficientes.
No caso português, antevejo que a subida do preço dos cereais irá promover a produção de milho, em que - somos competitivos mas ainda altamente deficitários, e favorecerá a - produção avícola, dada a elevada eficiência com que as aves transformam as matérias-primas vegetais (milho, soja) em produtos de origem - animal de relevante interesse (carne magra, ovos), com sublinhado para - o alto valor biológico das suas proteínas, as apreciadas propriedades organolépticas, facilidade de confecção e custo razoável.
A referida eficiência alimentar resulta, primordialmente, dos notáveis progressos obtidos, após a Segunda Grande Guerra, no melhoramento genético das aves, quer de aptidão carne quer de vocação ovopoiética. Em ambos os segmentos avícolas, o melhoramento foi dirigido fundamentalmente no sentido de diminuir as despesas nutritivas de conservação relativamente às de produção. No primeiro caso, o referido objectivo foi atingido sobretudo através da selecção das aves mais vorazes, que por isso acusam major velocidade de crescimento, de modo que atingem determinado peso vivo à idade de abate em menos dias, destinando assim uma menor proporção do alimento ingerido para suprir as necessidades de conservação da ave (frango, peru, pato). No segundo caso, a maior eficiência alimentar foi conseguida seleccionando aves com baixo peso vivo e elevada produtividade, tendo em vista igualmente diminuir a proporção do alimento ingerido destinada às despesas de manutenção da galinha poedeira.
Deste modo, a moderna avicultura revela-se muito eficiente, beneficiando de vantagens comparativas nas vertentes económica e ambiental: menor ingestão de ração por kg de aumento de peso vivo (ou por kg de ovos produzidos) corresponde a menores custos de produção e menores impactos ambientais, em termos de inputs e de outputs. De salientar que a referida vantagem comparativa de índole económica é tanto maior quanto mais elevados forem os preços dos cereais e das oleaginosas. Resumidamente e de forma simples, pode-se afirmar que a produção avícola eficiente é amiga do ambiente e também da saúde e do bolso dos consumidores.
Todavia - importa considerar -, a economia portuguesa é aberta à concorrência europeia (mas não completamente à de países terceiros, onde as condições de produção não são comparáveis), pelo que só as empresas eficazes e com economias de escala se revelam capazes de ombrear com as suas congéneres europeias. Ora, verifica-se que em Portugal existem na área avícola empresas competitivas à escala europeia e que por isso asseguram o auto-aprovisionamento do País em carne de aves e em ovos de consumo - uma situação que no nosso sector agrícola só é conseguida também nos domínios do leite e do vinho. Não se estranhará pois que o maior grupo privado português da área agro-alimentar actue predominantemente na fileira da carne de aves - que, talvez seja pertinente relevar, não beneficiou de apoios comunitários à produção. A concluir, podemos sublinhar que em Portugal existem empresas avícoIas que não receiam a concorrência a nível europeu, sendo que algumas já se encontram implantadas também no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, colocando-se assim mais próximo de um grande mercado em crescimento (para onde também já exportam) e onde a burocracia é mais simplificadora e célere, o que a meu ver irá impulsionar uma maior internacionalização dalgumas empresas avícolas portuguesas.
In “Revista da Associação dos Jovens Agricultores”
Jovens Agricultores # 74
Abr-Mai-Jun.2008
Dossier – págs. 12 e 13

quarta-feira, 30 de abril de 2008

PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS E DOS CEREAIS:

fim à regra de ouro do mercado - o da liberdade dos preços ;
sim ao regime dos preços máximos - como alternativa viável à estabilização dos preços.
A apDC - sociedade portuguesa de Direito do Consumo - apela ao GOVERNO para que intervenha de forma enérgica no mercado a fim de sustar os gravosos preços dos combustíveis sem rigoroso suporte nas flutuações cambiais e o dos cereais em que a especulação campeia sem plausível justificação de fundo.
As empresas que operam no mercado avantajam-se criminosamente à custa da crescente pobreza dos consumidores. Situação que determinará uma tomada de posição de intransigência e rigor perante os desvarios reinantes.
Os lucros obscenos que as petrolíferas auferem e a concomitante sujeição à pobreza de milhões impõe o recurso, no caso, aos preços máximos, por intervenção normativa e administrativa, a fim de se buscarem transitoriamente equilíbrios que inexistem de momento.
O poder repousa ainda no político. E a sujeição do económico é imperativo constitucional que se não pode postergar sob pena de uma catástrofe irrecuperável.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Crime contra a humanidade: disse ele!

Jean Ziegler, autor de um relatório apresentado à Assembleia-Geral das Nações Unidas acerca da actual crise dos cereais em todo o mundo, qualifica como “crime contra a humanidade” a situação de afectação dos cereais ao denominado biocombustível.

E exige da Assembleia-Geral uma moratória de 5 anos, subtraindo os cereais do mercado dos combustíveis.
Ziegler considera ainda que cerca de 30% dos acréscimos registados se devem a um processo especulatório a que é preciso pôr cobro através de medidas correctivas de âmbito mais geral.