[ Diretor: Mário Frota [ Coordenador Editorial: José Carlos Fernandes Pereira [ Fundado em 30-11-1999 [ Edição III [ Ano XII
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Produção da EDP Renováveis cresceu 33% até Junho

inDiário As Beiras” - 17.7.2009
A produção de energia eólica da EDP Renováveis (EDPR) cresceu 33% no primeiro semestre de 2009, para 5,25 GWh (Giga watts/hora), segundo dados operacionais provisórios divulgados pela companhia esta quinta-feira.
A energia produzida aumentou 26% nos EUA e 11% em Espanha, sendo este o mercado de maior volume em termos do indicador ebitda GWh, refere a informação remetida à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Nos últimos 12 meses, a empresa liderada por Ana Maria Fernandes aumentou a sua capacidade instalada em 1.455 MW (mega watts), o que representa um acréscimo de 38% sobre o 1º semestre de 2008 (1S08).
No 1S09, foram instalados 249 MW, dos quais 200 MW nos EUA, 35 MW na Europa e 14 MW no Brasil. A capacidade adicionada no 1S08 «supera em 21% a capacidade instalada no período homólogo e corresponde a cerca de 20% do objectivo definido para as capacidades a instalar em 2009», refere o documento da EDPR.
No segundo trimestre, a EDP Renováveis adicionou 136 MW à sua capacidade operacional através do continuo crescimento no mercado norte-americano (+101 MW), da instalação de 10 MW na Bélgica e 8 MW em França, e da nova capacidade comissionada em Portugal relacionada com a capacidade atribuível à EDP Renováveis no âmbito do consórcio Eólicas de Portugal (17 MW).

Publicado por: Jorge Frota

terça-feira, 14 de julho de 2009

Primeiro-Ministro diz que aposta na energia é vital para o país

inDiário de Aveiro” - 11.7.09

O primeiro-ministro, sustenta que a área da energia permite aumentar as exportações, garantindo maior autonomia em relação ao exterior
"O mundo não vai aceitar que continuemos na senda do aquecimento global, pondo em risco a segurança ambiental do planeta. Tenho a absoluta certeza que iremos alcançar um acordo mundial para reduzir os gases com efeito de estufa", objectivo que se consegue "produzindo mais energia com base nas energias renováveis", disse.
Para Sócrates, "o motor da mudança em todo o Mundo é a energia" e "o segredo está em tomar a dianteira e a liderança nessa mudança".
O primeiro-ministro lembrou que Portugal "é dos países que mais produz energias renováveis".
"Criámos no país um cluster industrial que é fundamental para a dinamização da economia", citando os projectos de produção de painéis fotovoltaicos na Qimonda Solar, o fabrico de aerogeradores e torres eólicas no país e a existência do "maior campo de energia fotovoltaica do Mundo, em Mora".
Além das questões ambientais, a aposta nas energias renováveis tem como objectivo "libertar Portugal da dependência externa do petróleo".
"Já vivemos três choques petrolíferos e o terceiro foi há bem pouco tempo. Eu não quero que o meu país passe pelo terceiro e fique tudo na mesma", defendeu Sócrates, que salientou que "a melhor forma para combater o endividamento e a dependência externa é apostar nos recursos energéticos nacionais e com isso aumentar a sua independência face ao exterior".
O discurso do primeiro-ministro teve como som de fundo a música de Xutos & Pontapés "Sem Eira nem Beira", cujo refrão começa com a expressão: "Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção".
A música saía das colunas de uma carrinha da CGTP que se encontrava à porta da nova fábrica, onde um grupo de cerca de 20 trabalhadores da Saint-Gobain Glass procurava chamar a atenção para a situação da empresa, em "lay-off" desde Maio.

Publicado por: Jorge Frota

terça-feira, 14 de abril de 2009

43% Da electricidade consumida é de fontes renováveis

in "Diário de Noticias" - 13-4-2009

Quarenta e três por cento da electricidade consumida em Portugal em 2008 teve origem em energias renováveis, tendo o país terminado o ano com 8.151 mega watts (MW) de potência instalada renovável.
Segundo as últimas estatísticas da Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG), Portugal foi, em 2007, o terceiro país na União Europeia a 15 com maior incorporação de energias renováveis.
Ainda assim, a produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis (FER) caiu nove por cento no ano passado, face a 2007, devido ao decréscimo verificado na componente hídrica.
Já a produção eólica cresceu 42 por cento em 2008 face ao ano anterior, situando-se actualmente a potência instalada eólica praticamente nos 2.800 MW (distribuída por 172 parques), precisamente a meta estabelecida para o final de 2008.
O aumento da potência instalada renovável registado no final de 2008 resultou, segundo a DGEG, do crescimento na potência eólica e foto voltaica, tendo também incluído, pela primeira vez, a potência instalada numa central com aproveitamento da energia das ondas (do parque de ondas da Aguçadoura, ao largo da Póvoa de Varzim).
De acordo com os dados divulgados, a produção de energia eléctrica a partir de FER está concentrada no Norte, sobretudo nos distritos de Viana do Castelo, Bragança, Viseu, Coimbra, Braga e Vila Real.
Excluindo a grande hídrica, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Viana do Castelo, Lisboa, Vila Real, Guarda, Braga e Santarém são os principais distritos em termos de potência instalada, com 81 por cento do total nacional.
É também no Norte que está concentrada grande parte da potência licenciada renovável, já que é aí que estão localizadas as grandes hídricas e um número significativo de parques eólicos.
Já Lisboa, Leiria, Castelo Branco e Viseu têm uma forte componente eólica, correspondente a mais de metade da potência renovável destes distritos.
Em termos de produção eólica, os distritos com maior potência instalada eram, em Dezembro, Viseu, Castelo Branco, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, Vila Real, Leiria, Santarém e Braga.
Segundo os dados da DGEG, até Dezembro de 2008 foram licenciados 9.687 MW de instalações electroprodutoras a partir de FER, mais 19 por cento relativamente à potência instalada actualmente.
As energias renováveis têm sido a grande aposta da política energética do Governo português, em detrimento da energia nuclear, que o executivo já por várias vezes assegurou não estar na agenda pelo menos até ao final da legislatura.
Ainda assim, a Enupor – Energia Nuclear de Portugal, um consórcio de investidores lançado em 2005 por Patrick Monteiro de Barros, diz aguardar uma evolução da actual posição do Governo e manter em cima da mesa a sua proposta de construção da primeira central nuclear em Portugal.
Recentemente, em declarações à agência Lusa, o administrador da Enupor Sampaio Nunes criticou a falta de acção do Governo nesta área e alertou que tal implica uma "degradação competitiva" de Portugal face aos seus parceiros, onde está a ocorrer "uma revolução do renascimento da energia nuclear".
Publicado por: Jorge Frota

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bragança: Autarcas acusam Governo de "falta de vontade política" para fazer avançar eólicas

in "Lusa" - 25.Mar.09

Bragança, 24 Mar (Lusa) - Os autarcas da área de influência da Serra da Nogueira, no Distrito de Bragança, acusaram hoje o Governo de "falta de vontade política" para viabilizar a exploração do potencial eólico e de outras energias renováveis na região.

Há quase seis anos que as juntas de freguesia, câmaras e a empresa de energias renováveis PENOG trabalham no projecto de instalação do Parque Eólico da Nogueira.
Para o presidente da Câmara de Bragança, o social-democrata e porta-voz dos autarcas Jorge Nunes, "é absolutamente inexplicável, não só do ponto de vista da região mas do interesse global do País, que o projecto ainda não tenha avançado".
Nunes garantiu hoje, no final de uma assembleia-geral da sociedade responsável pelo projecto, que já fizeram chegar sem êxito as suas preocupações por escrito ao primeiro-ministro, ministro da Economia e entidades do sector energético.
De acordo com os responsáveis, "falta apenas que o Governo abra um concurso ou dê uma autorização directa para viabilizar o parque eólico".
Apesar do potencial apontado por especialistas em termos de energias eólica, solar hídrica e biomassa, o Distrito de Bragança ainda não tem instalado qualquer projecto de dimensão de exploração destas energias, com a excepção da hídrica nas barragens.
O presidente da PENOG, Carlos Pimenta explicou que até há cerca de um ano havia um entrave técnico por falta de condições para transportar e fazer a ligação da energia à rede eléctrica nacional.
Segundo disse, "já não existe qualquer obstáculo de ordem técnica depois de criada a sub-estação de Macedo de Cavaleiros".
Aquela infra-estrutura permitiria avançar, numa fase inicial, segundo Carlos Pimenta, com um parque eólico para produção de 100 megawats de energia, porém o concurso aberto pelo Governo há cerca de um ano autorizou apenas 25 megawats e apenas para as zonas de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Valpaços.
A sociedade proponente do Parque Eólico da Nogueira está disposta a construir uma linha de ligação à sub-estação de Macedo de Cavaleiros mas entende que o investimento só se justifica se for autorizada uma potência de 100 megawats para avançar com o Parque.
"Só depende de vontade política, a parte técnica que não existia passou a existir", declarou, considerando "inexplicável que o País continue a importar mais de 80 por cento da energia que consome, milhares de milhões de euros que vão para o estrangeiro todos os anos, quando o País é rico em energias renováveis".
Os autarcas prometem continuar a "fazer pressão" junto do Governo para viabilizar o projecto que representará um investimento inicial de 150 milhões de euros e envolve as Câmaras de Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros e sete juntas de freguesia.
O presidente da Junta de Freguesia de Rebordãos, Adriano Rodrigues, lamenta os "anos perdidos e os 250 a 300 mil euros de investimento que já podia ter sido feito na Freguesia".
De acordo com as contas dos responsáveis, as freguesias vão dividir anualmente mais de 600 mil euros da produção energética e junto com os baldios terão direito também a outros receitas, nomeadamente as de rendas dos terrenos onde serão instaladas as torres eólicas.
A agência Lusa tentou obter uma reacção do Ministério da Economia, o que não foi possível até ao momento.

HFI

Publicado por: Jorge Frota

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Casa eficiente permite poupar entre 30 a 40% de energia

Protótipo apresentado no Salão de Imobiliário de Lisboa
A Home Energy, empresa do grupo Martifer, vai apresentar no Salão Imobiliário de Lisboa, a partir de hoje, um protótipo de uma casa energeticamente eficiente que permitirá aos consumidores poupar entre 30 a 40 por cento de energia
A Casa Eficiente, com 72 metros quadrados, tem painéis fotovoltaicos no jardim, o aquecimento de água vai depender de equipamentos de elevada eficiência,como uma caldeira de condensação e um sistema solar térmico. A cozinha será construída com materiais reciclados e terá um frigorífico classe A++ e um fogão de indução. Também a sala vai conjugar materiais reaproveitados ou reciclados, as janelas serão de corte térmico e as paredes terão isolamento exterior.
A iluminação da casa será de elevada eficiência através de tecnologia CFL (Lâmpadas fluorescentes Compactas) e LED (Diodos Emissores de Luz), bem como a televisão que terá o consumo de energia monitorizado por equipamentos activos".
No caso de uma casa já usada, fonte da Home Energy afirmou à Lusa que com estes equipamentos será possível poupar entre 10 e 20 por cento de energia.
O objectivo da Home Energy com este protótipo é ajudar os consumidores a encontrar maneiras de poupar energia, diminuir o impacto para o meio ambiente e criar a sua própria energia em casa. A Home Energy organiza este projecto em parceria com a Roca, Esquadria, Siemens, Rehau, lberfibran, Fusion e Philips.
A Home Energy é uma empresa do grupo Martifer especialista em eficiência energética e energias renováveis para o segmento doméstico.

In: Os Classificados – Diário de Coimbra - Quinta-feira – 23 Outubro 2008

Por: Jorge Frota

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Portugal quer liderar energias renováveis

Governo confiante no cumprimento das metas assumidas
O ministro da Economia assegurou, no Luxemburgo, que Portugal irá cumprir as metas estabelecidas de utilização de energias renováveis, apesar de alguns parceiros comunitários estarem em dificuldade por causa da situação económica.
«Há vários países que estão com algumas dificuldades para atingir as metas», mas «no que diz respeito a Portugal, estou muito seguro «que vamos atingir as metas», disse Manuel Pinho no final de uma reunião dos ministros responsáveis pela Energia dos 27.

O ministro explicou que Portugal pretende-se «afirmar como um líder na área das energias renováveis», e portanto está «empenhado neste processo».
«Outros países por razões diversas estão com alguma dificuldade em imprimir a mesma dinâmica», afirmou, acrescentando que alguns países estão a pedir para que haja «alguma flexibilidade». Os Estados-membros da União Europeia comprometeram-se que até 2020 irão alcançar uma ma de 20 por cento de consumo de energia a partir de renováveis (eólica, hídrica, etc) mas com ritmos diferentes para cada Estado-membro.
O objectivo de Portugal é chegar a 31 por cento em termos de "energia primária" e isso corresponde à produção de 60 por cento da electricidade consumida.
Segundo dados apresentados por Manuel Pinho, actualmente, o país produz «perto de 43 por cento», irá produzir rerca de 45 por cento em 2010 para depois levar este valor até 60 por cento em 2020

In: Os Classificados – Diário de Coimbra - 13 Outubro 2008

Por: Jorge Frota

quarta-feira, 2 de julho de 2008

ENERGIAS RENOVÁVEIS: o alerta, a esperança

A dependência dos hidrocarbonetos e a especulação que sobre o crude se abate, obrigam - tarde e a más horas – a repensar as energias renováveis.

E a pergunta é inevitável:
“O que são energias renováveis?
As fontes renováveis são uma forma de gerar electricidade de um modo sustentável e mais limpo, sendo as mais usadas: o sol, o vento, a chuva, as ondas do mar; o calor da terra, e a biomassa.
- Hídrica
A produção de hidro-electricidade é, principalmente, efectuada através de centrais hidroeléctricas, que estão associadas a barragens de grande ou média capacidade, que represam a água dos rios, constituindo um reservatório de água, interrompendo pontualmente o fluxo de água. A produção de hidro-electricidade é dos processos mais eficientes e menos poluidores. Nas pequenas centrais hídricas, os inconvenientes para o ambiente, resumem-se praticamente à fase de construção. Actualmente, e em ano médio, um pouco mais de 30 por cento da electricidade consumida em Portugal tem origem hídrica.
- Eólica
Actualmente, o vento vem-se apresentando como uma das formas mais atractivas para produção de electricidade.
Em Portugal, esta fonte está em desenvolvimento crescente, pois já produz cerca de oito por cento da electricidade consumida anualmente, esperando-se que, em 2010, aquele valor atinja 15 por cento. Em Setembro de 2007, a potência instalada em parques eólicos era de 2100 MW
- Biomassa
São designados por biomassa, os resíduos naturais e os resíduos resultantes da actividade humana. São biomassa os subprodutos da pecuária, da agricultura, da florestal, ou da exploração da indústria da madeira, que constituem matérias-primas para a produção combinada de electricidade e calor. Também é considerada biomassa, a parte biodegradável dos resíduos sólidos urbanos domésticos. A biomassa pode ser usada directamente como combustível, ou, através da sua biodegradação produzir um gás combustível designado por biogás.
- Biogás
O biogás é um gás combustível, constituído em média por 60 por cento de metano e 40 por cento de CO2, que é obtido pela degradação biológica anaeróbica dos resíduos orgânicos. Em Portugal, uma questão que naturalmente se põe em relação ao biogás, é a avaliação da sua potencial importância no contexto das energias renováveis. As áreas potenciais principais de produção de Biogás, são as do sector agropecuário, da indústria agroalimentar, das ETARs municipais e dos resíduos sólidos urbanos (RSU).
- Solar Fotovoltaica
A produção de electricidade, usando a energia solar, é conseguida de duas formas: através de células fotovoltaicas ou através do aquecimento de água.
Em Portugal, se tivéssemos instalado um milhão de metros quadrados de painéis solares, poder-se-ia poupar entre 2 a 3 por cento das importações em combustíveis fósseis.
- Geotérmica
A energia geotérmica provém do calor da Terra, e é um recurso que pode ser aproveitado em locais com actividade vulcânica, onde existam águas ou rochas a temperatura elevada, e em zonas onde seja possível atingir estratos magmáticos. Os Estados-Unidos é o país onde esta energia geotérmica é mais utilizada. Em Portugal, existem várias unidades de produção de electricidade: instaladas nos Açores, e reconhecem-se utilizações directas em Lisboa e S. Pedro do Sul.
- Ondas
O potencial de energia do mar, através das marés e das ondas, aguarda avanços técnicos e tecnológicos, que permitam uma maior utilização. É conhecida uma patente que data de 1799, respeitante a uma máquina movida pela força das ondas.
Alguns países estão bastante empenhados no avanço da exploração das ondas do mar para produzir electricidade, tais como a Grã-bretanha, Portugal e Países Escandinavos.
Na ilha do Pico, nos Açores, está em operação uma central com 400 kW, que é a primeira central no mundo a produzir electricidade a partir da energia das ondas, de uma forma regular. Esta central é uma central onshore. O futuro deste tipo de produção de electricidade reside em centrais offshore em que se prevê para Portugal um potencial elevado que pode levar a que em 2025 cerca de 20 por cento da electricidade consumida tenha esta Origem.
NÚMEROS
30% da electricidade consumida em Portugal tem origem hídrica.
8% da electricidade consumida anualmente é de origem eólica.
2.100 MW era a potência instalada em parques eólicos, em Setembro de 2007.
400 KW é o valor produzido pela primeira central no mundo a produzir electricidade a partir da energia das ondas, de uma forma regular, que está localizada na ilha do Pico (Açores)
in “Diário de Aveiro”, Sexta-feira, 27 Junho 2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Especulação

A incrível ERSE
No passado domingo, despertei com uma notícia extraordinária: a Entidade Reguladora do Sector Eléctrico (ERSE) propõe que a EDP transfira os custos associados às suas facturas incobráveis para a esfera dos restantes consumidores de electricidade.
Incrível. Ou melhor, que grande lata!

Na opinião do Dr. Mário Frota, da Associação Portuguesa do Direito ao Consumo (APDC), trata-se de “uma arma despudorada de transferir directamente para os consumidores encargos que têm que ser assumidos pelas empresas e abatidos aos seus lucros” (Agência Lusa, 16/06).
Confesso que, após a introdução da notícia, não quis mais saber qual é o calote que a EDP enfrenta nem quanto este poderia onerar a factura de cada um de nós se nos fosse imputado administrativamente.
Caros leitores, gostava de me penitenciar: recentemente, encontrei na EDP um ódio de estimação.
Apesar de todos os méritos que reconheço à sua actual equipa de gestão, em especial, a sua estratégia de liderança no campo das energias renováveis e o facto de ter colocado uma empresa portuguesa no mapa mundial, há situações verdadeiramente inaceitáveis - e esta é uma delas. Sobretudo quando, de forma chocante, esta é patrocinada pela ERSE -entidade que devia zelar pelos interesses dos cidadãos. Felizmente, a proposta está ainda em discussão pública. Que alívio!
A posição da APDC deve ser suficiente para rechaçar a ERSE.
Isto apesar da outra associação de defesa do consumidor, a DECO, estar disposta a discutir a posição da entidade reguladora.
Diz a DECO, através do seu secretário-geral, o Dr. Jorge Morgado, que “à luz do princípio de que, são os consumidores que pagam tudo, é provável que os custos dos incobráveis já estejam a ser pagos pelos clientes de forma encapotada” (Agência Lusa, 16/06).
Ou seja, o que a DECO parece querer dizer é que se deve formalizar algo que já está a ser feito. Mas que posição notável! O que a DECO deveria fazer, em vez de tolerar uma situação intolerável, era confirmar se já está a ocorrer alguma imputação tarifária irregular e denunciá-la junto da ERSE.
Por detrás da proposta da ERSE, presume-se, está a própria EDP. E compreende-se bem porquê. Todo o executivo gosta de gerir um monopólio. E, nessa gestão monopolista, inclui-se a manipulação dos preços e a coerção junto dos órgãos reguladores do sector. Utilizando uma analogia com a política do Estado Novo, a ERSE, é para a EDP, o que Américo Thomaz era para Salazar.
Voltando à questão tarifária, não se compreende por que razão a EDP não há-de fazer como qualquer outra empresa quando se depara com um activo incobrável, ou seja, amortizá-lo. Imaginem só o que sucederia, no caso dos bancos, recentemente tão afectados com créditos “subprime” incobráveis, se estes decidissem repercutir essas perdas sobre os restantes clientes através de taxas de juro mais elevadas sem qualquer justificação contratual. Caíam o Carmo e a Trindade!
Além disso, numa altura em que a EDP acaba de encaixar mais de 1,5 mil milhões de euros com a OPV da Renováveis, a ideia da ERSE é, a todos os títulos, obscena. E, não esqueçamos, a EDP é uma empresa rentável - apesar do famoso défice tarifário. O que me leva à próxima observação. Dado que existe o défice tarifário, então, que se crie ou agrave um imposto indirecto, especificamente indexado ao custo da electricidade, por contrapartida de uma redução nos impostos directos, que permita compensar a EDP pela perda operacional incorrida. Claro está que esta minha sugestão é apenas uma segunda melhor alternativa. A primeira seria, sem dúvida alguma, abrir o sector aos privados e privatizar, integralmente, a EDP. Contudo, dado que, sempre que no nosso país se entrega um sector aos privados, os preços, invariavelmente, aumentam, faz com que seja prudente seguir a via mais pragmática, em alternativa à mais idealista. Em particular, nos tempos que correm - de grande agitação social.
RICARDO ARROJA
ricardoarroja@gmail.com
Pedro Arroja Gestão de Patrimónios S.A.
in “Vida Económica”, sexta-feira, 20 Junho de 2008, p. 37