Legislação deixa fiscalização de equipamentos mais antigos num nível amador e entregue aos empresários A manutenção dos carrosséis com mais de 10 anos, em Portugal, está a ser feita pelos próprios proprietários. Um cenário que resulta da fraca legislação para o sector e perante o número reduzido de técnicos profissionais.
Contam-se pelos dedos de uma mão os profissionais que asseguram os arranjos e a operacionalidade dos equipamentos de diversão - são pouco mais de cinco - mas, em contrapartida, os proprietários daquelas estruturas são proporcionais ao número das existentes em território nacional, cerca de 220.
Sendo que as falhas da legislação para o sector permitem que, neste momento, a manutenção e a fiscalização da qualidade de montagem dos equipamentos esteja a ser assegurada pelos próprios proprietários, cujos conhecimentos técnicos se resumem a pouco mais que aos anos de trabalho com aquelas máquinas.
Tal situação verifica-se essencialmente com estruturas redondas - carrosséis -, que são pouco mais de 30 e cujas idades ultrapassam os 10 anos. As mais novas já se encontram abrangidas pelo controlo de qualidade proporcionado pelas empresas vendedoras destes equipamentos e à obrigação de substituir alguns dos materiais de cinco em cinco anos.
Segundo Diamantino David, que desde 1976 assegura a reparação eléctrica destas estruturas, as lacunas são permitidas pela fraca legislação não só no licenciamento, mas ainda pela inexistência de fiscalização aquando da montagem.
"Poderia até ser a ASAE a fazer este tipo de trabalho. Os proprietários tentam ao máximo garantir a segurança, mas não têm conhecimentos técnicos para perceber se está tudo bem", adiantou o especialista, com uma empresa sediada na Baixa da Banheira (Moita), em reacção ao acidente com um carrossel nas festas anuais da Nossa Senhora da Boa Viagem, em Esmoriz (Ovar), na madrugada de segunda-feira.
Quatro pessoas ficaram feridas, entre as quais três crianças [ver caixa], quando uma das cadeiras se desprendeu e as projectou com violência para o chão. O JN apurou que o Núcleo de Investigação Criminal da GNR iniciou a recolha de indícios e testemunhos no local e que, ainda esta semana, o relatório possa chegar ao Ministério Público, que decidirá a que autoridade poderá caber a investigação e o apuramento de eventuais responsabilidades.
NUNO MIGUEL ROPIO *, * NATACHA PALMA E SALOMÃO RODRIGUES
02.Set.09

















