Isto é...tudo é definido pelo que nos convém
O mundo microscópico, que apenas há pouco mais de quatrocentos anos se revelou aos nossos olhos, é também definido pelos benefícios/prejuízos que nos oferece.
Assim, a tendência de todos nós será a de considerar que os microorganismos são todos uns "malandros", já que quando ouvimos falar deles é porque estamos ou doentes ou mal-dispostos ou com comichões ou qualquer outra coisa que nos é incomodativa
Mas é exactamente pelo facto de existirem milhões de microorganísmos no nosso rorpo que nos são benéficos que podemos existir e sentir os efeitos negativos de todos os outros tipos de microrganismos. A diferenca que não experimentamos a sua acção diária de protecção, como sentimos os possíveis efeitos negativos de outros, e daí esta sensação.
Fungos, bactérias e vírus
A verdade é que isto de fungo ou bactéria ou vírus, também nos parece por vezes um pouco irrelevante quando estamos doentes, senão vejamos: geralmente estamos a falar de organismos invisíveis a olho nú, provocam mal estar, e os tratamentos são muito parecidos - comprimidos, pomadas ou situações similares.

Nome comum: pé de atleta
Foto:
Assim, costumamos dizer '"logo que passe quero lá saber o que é!", e tem todo o sentido que assim seja, porque o nosso real interesse é voltarmos a um estado considerado de saúde.
Mas a entre fungos, bactérias e vírus a diferença é tão grande como entre uma batedeira e uma máquina de lavar louça.
Os fungos são organismos pluricelulares que variam entre tamanhos "gigantescos" como os cogumelos até dimensões microscópIcas, como aqueles que nos provocam micoses. Estes organismos são extremamente resistentes e uns autênticos sobreviventes, já que se podem adaptar e subsistir em muitos meios, desde que possuam uma certa humidade. São organismos parasitários (vivem dentro de um hospedeiro) ou decompositores.
As bactérias por seu lado, são organismos constituídos por uma única célula, sendo completamente distintos, pertencendo inclusivamente a um reino distinto dos fungos, sendo o reino o primeiro grau de distinção entre os seres vivos.
Mas se os fungos conseguem adaptar-se a muitos ambientes diferentes, as bactérias superam- nos exponencialmente. Existem bactérias que podem sobreviver literalmente em quase todos os tipos de ambientes que possamos imaginar. com formas de metabolismo (obtenção de energia/nutrientes) muito diferentes.
Os vfrus são um caso ambíguo já que podemos até dizer que não são seres vivos. São estruturas capazes de invadir células e "levá-las" a produzirem muito mais partículas virais. Os vírus não possuem por si estnrturas celulares, mas apenas uma porção de material genético, com o qual "enganam" as células que invadem São por isso parasitas do interior das células e não de tecidos como os fungos.
O fungo "pé de atleta"
Mas no início estávamos a falar de micoses e fungos, e este é o nosso tema de "conversa" hoje.
Este fungo é de certeza conhecido pelo leitor destas palavras, e se não for de conhecimento "pessoal" é de certeza pelo nome.
Como vive este fungo?
Este fungo invade os tecidos epidérmicos (pele), através de estruturas filamentosas, as hifas (ver foto do B.I), que no seu conjunto formam o micélio, que se alimenta de uma proteína produzida pela nossa pele: a ceratina.
Como este fungo se alimenta de células mortas da nossa pele, o nosso sistema imunitário não tem "acesso" a ele, não o podendo atacar. E como ele cresce sem limitações, a "parte viva" da pele responde 'produzindo mais células do que é normal, e como consequência temos um aumento da descamação, que no fundo já vimos que é um sintoma de infecção!

Vários estudos feitos em Portugal mostram o que todos temos consciência: a maior fonte de contágio são as piscinas e os balneários públicos. São ambientes húmidos, quentes e centenas de pessoas descalças tocam os mesmos materiais. São o "paraíso" dos fungos dermatófitos, sendo destes mais comum o pé de atleta. Conseguimos perceber agora o porquê desta designação!
Se os sintomas forem rapidamente detectados, e aplicarmos um dos muitos anti-fúngicos de largo espectro disponíveis no mercado, em principio conseguiremos controlar a infecção e, se tomadas as medidas correctas, evitar também o contágio de colegas e familia.
Aplicando várias vezes ao dia o creme/spray anti-fúngico, não partilhando vestuário e toalhas e usando sempre chinelos: em 2 a 3 semanas controlamos a infecção.
Mas alguns efeitos sectundários podem surgir, se não controlarmos a infecção. Com o aumento das fissuras na nossa pele, podem surgir infecções bacterianas que atacam as nossas células vivas e podem causar mais danos ao nosso organismo.
Assim, numa qualquer outra situação podemos ter uma nova infecção fúngica causada pelo mesmo tipo de fungo através do contacto com materiais contaminados.
Concuindo, já convivemos com este fungo há centenas de anos, e pelos vistos mais algumas centenas de anos vamos conviver.
Agora com licença que vou aplcar o creme anti-fúngico... porquê eu!?
Publicado por Jorge Frota
