(ver aqui)
Sete factores de risco – todos eles de doenças não transmissíveis – são responsáveis pela maioria das doenças na Região Europeia da Organização Mundial de Saúde: hipertensão, tabagismo, utilização nociva e perigosa de álcool, colesterol elevado, excesso de peso, parca absorção de frutas e legumes e falta de actividade física.
Na maioria dos casos, as doenças não transmissíveis podem ser evitadas. Até 80 % dos casos de doenças coronárias e 90% da diabetes de tipo 2 poderiam ser evitadas mudando o estilo de vida. Comer alimentos saudáveis, manter um peso normal e aumentar a actividade física podem, por exemplo, reduzir um terço dos casos de cancro. Os seguintes factores determinantes são os mais importantes: As acções concretas empreendidas pelas instituições da UE nestas áreas são explicadas pormenorizadamente no livro.
Nutrição e actividade física – A relação entre o regime alimentar, o estilo de vida e a saúde foi estabelecida cientificamente, particularmente no que diz respeito ao papel do regime alimentar e do estilo de vida como determinantes de doenças crónicas não transmissíveis, como obesidade, doenças cardiovasculares, cancro, diabetes de tipo 2, hipertensão e osteoporose
[1]. A Comissão Europeia já empreendeu várias acções para responder a estes desafios de saúde pública;
• Foram adoptadas as conclusões do Conselho relativas aos estilos de vida saudáveis em 2003, à promoção da saúde do coração em 2004 e à diabetes em 2006.
• A Rede Europeia para a Nutrição e a Actividade Física foi estabelecida em 2003 e é composta por especialistas nomeados pelos Estados-Membros.
• Espera-se uma estratégia comunitária coerente e completa sobre a nutrição, a actividade física em Junho de 2007. Esta baseia-se na consulta do livro verde: “Promoção de regimes alimentares saudáveis e da actividade física: uma dimensão europeia para a prevenção do excesso de peso, da obesidade e das doenças crónicas”. Esta estratégia deverá incluir a integração transversal da nutrição e da actividade física em todas as políticas relevantes a nível local, regional, nacional e europeu e a criação dos contextos necessários de apoio.
• A título de experiência, a Comissão lançou um fórum, chamado “Regime alimentar, actividade física e saúde – uma plataforma europeia para acção”, baseado na experiência da ‘mesa redonda sobre a obesidade’. Profissionais importantes a nível europeu (retalhistas, processadores de alimentos, a indústria de restauração, o mundo da publicidade, ONG de consumidores e da saúde, profissões médicas, etc.) têm-se reunido regularmente desde 2005, na perspectiva de identificar e definir acções concretas susceptíveis de reduzir da metade ou mesmo inverter a tendência actual de obesidade.
• É também um objectivo importante fazer que os parceiros potenciais conheçam todas as iniciativas relacionadas com a obesidade, para proporcionar políticas e acções mais coerentes.
• A segurança alimentar é também uma prioridade para a União Europeia. A Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA) foi criada em 1996 para responder aos perigos de aprovisionamento alimentar, cujo mandato foi alargado pela Comissão Europeia para incluir a nutrição.
Álcool – O consumo de álcool aumenta o risco de mais 60 tipos de doença e condições diferentes. O impacto social negativo do álcool é considerável, desde os transtornos sociais em geral até à violência doméstica, aumentando os incidentes de incêndio, de inundações, de acidentes de viação, o abuso de crianças, a criminalidade e os homicídios. Estima-se que, na União Europeia, cerca de 55 milhões de adultos bebem excessivamente, e destes 23 milhões sejam alcoólicos.
Foram adoptadas a este respeito algumas directivas europeias: imposto sobre o álcool, uma recomendação sobre o consumo de álcool pelos jovens (2001) e a Directiva Televisão sem Fronteiras (Directiva 89/552/CEE), que prevê restrições sobre a publicidade do álcool. Em Outubro de 2006, a Comissão Europeia adoptou uma estratégia global sobre consumo de álcool
[2], para ajudar os Estados-Membros a reduzir os danos causados pelo álcool na Europa. A Comissão Europeia programou um Fórum sobre Álcool e Saúde para Junho de 2007, que reunirá especialistas de diferentes organizações interessadas, incluindo ONG, a indústria e distribuidores de bebidas.
Reunir-se-ão num comité consultivo separado representantes dos Estados-Membros e de outras instituições e agências da União Europeia. O objectivo global deste fórum é apoiar, informar e controlar a execução da estratégia definida comunicação.
Tabaco – Há anos que os profissionais de saúde, políticos, ONG, Estados-Membros e a Comissão Europeia têm na sua agenda a prevenção do tabagismo. Apesar de tudo, cerca de um terço da população adulta da Europa fuma regularmente. Estima-se que o tabaco mata cerca de 650 000 Europeus por ano, isto é, uma em cada sete mortes na União Europeia. O fumo afecta praticamente todos os órgãos do corpo humano, provocando uma série elevada de doenças. Metade dos fumadores regulares morrem por causa do seu vício e os que morrem a meia-idade têm, em média, a sua esperança de vida reduzida de 22 anos e uma grande parte desta vida abreviada em mau estado geral de saúde. Mais de 13 milhões de pessoas sofrem de doenças crónicas graves devido ao consumo de tabaco. Além disso, fumar passivamente também mata 79 000 adultos por ano na UE a 25
[3].
O combate em prol da redução do consumo do tabaco na UE inclui as recomendações e legislações seguintes:
• Lugares públicos e de trabalho - Em 1989, a UE adoptou uma Resolução que proíbe fumar em lugares públicos e em todas as modalidades de transporte público.
• Regulamentação relativa aos produtos do tabaco - Em 2001, foi promulgada uma directiva sobre os produtos do tabaco.
• Directiva da União Europeia sobre a publicidade do tabaco - Em 2003 foi adoptada uma directiva que proíbe a publicidade do tabaco, a qual inclui igualmente a proibição da publicidade do tabaco além das fronteiras nacionais e o patrocínio de actividades desportivas.
• Convenção-quadro sobre a luta antitabaco - Em 2004, o Conselho Europeu aprovou a Convenção-Quadro da Organização Mundial de Saúde relativa à Luta Antitabaco CQLAT)
[4].
• Os avisos sanitários foram aumentadas pelo menos 30% na frente e 40% nas costas dos pacotes de tabaco.
• Imposição – Na maioria dos Estados-Membros, o tabaco está sujeito a um imposto elevado.
Na Primavera de 2007, a Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre a melhor maneira de promover um ambiente sem fumo, com o seu Livro Verde “Por uma Europa sem fumo: opções políticas ao nível comunitário”
[5].
Consumo de droga – O consumo de droga, principalmente entre os jovens, está a atingir os níveis elevados nunca antes alcançados. Actualmente, há mais de dois milhões de utilizadores com problemas de drogas na UE
[6]. As legislações nacionais contra a droga reforçam cada vez mais a diferença entre os delitos que envolvem a posse de drogas para uso pessoal e os que envolvem o tráfico e o fornecimento.
Em geral, tende-se a aumentar as sanções para estes últimos. Este desenvolvimento é paralelo a um esforço geral em toda a Europa de alargar as oportunidades de tratamento de problemas relacionados com a droga e em prestar maior atenção a intervenções que desviam as pessoas que têm problemas relacionados com a droga do sistema de justiça penal, para opções de tratamento e reabilitação.
A Comissão considera o
uso ilegal de drogas – e até certo ponto o abuso legal de drogas – como uma questão primordial de saúde pública. As acções têm-se concentrado na prevenção através da educação e maior consciencialização para o problema, mas também incluem a redução e o tratamento de perigos/danos. A abordagem europeia para resolver os problemas de drogas na União foi desenvolvida através dos Planos Estratégicos (2005-2012) e de Acção (2005-2008) contra a Droga da UE. Neste modelo, tenta-se obter um equilíbrio entre a prevenção, a educação e to tratamento, por um lado, e, por outro, a aplicação da lei contra o fabrico e o tráfico de drogas.
Saúde mental – segundo a Organização Mundial de Saúde, não existe nenhuma definição oficial de saúde mental. Tanto as diferenças culturais como as teorias profissionais concorrentes afectam a maneira como se define a ‘saúde mental’. A saúde mental é um problema diária que afecta os indivíduos, as famílias, as escolas e o local de trabalho. A questão é crítica para a Europa, porque as questões de saúde mental representam quase 20 % do fardo das doenças
[7]. No entanto, os cuidados prestados são frequentemente inadequados e não prestam a ajuda necessária, mesmo quando os problemas mentais são graves. Em 2005, os ministros de Saúde europeus acordaram, pela primeira vez, integrar as acções de saúde mental como parte das suas politicas de saúde pública
[8]. Em 2006, a Comissão Europeia lançou uma consulta aberta baseada no Livro Verde “Melhorar a Saúde Mental da População: Por uma Estratégia de Saúde Mental para a União Europeia”
[9]. Esta consulta teve uma difusão (237 respostas)
[10]. Os serviços da Comissão estão agora a elaborar uma Comunicação para estabelecer uma estratégia sobre a saúde mental. Esperava-se a sua adopção na Primavera de 2007.
Prevenção de lesões - As lesões são a principal causa de morte e incapacidade na população europeia
[11]. O perigo de morte e de sérias lesões é muito elevado em diversos domínios, por exemplo, em casa, no tráfego rodoviário de lazer, no local de trabalho, e está relacionado com produtos e serviços ao consumidor. Estima-se que as lesões intencionais e não intencionais são a principal causa de morte e incapacidade crónica nas crianças, jovens e adultos até a idade de 45 anos, o que representa uma enorme perda de anos de vida com boa saúde e em anos de produção laboral.
Entre as pessoas com mais de 65 anos de idade, as lesões são a principal causa de morte e de incapacidade e desencadeiam frequentemente a deterioração fatal da sua saúde.
A Comissão Europeia tomou várias medidas para empreender acções e poder reduzir a frequência de mortes e lesões intencionais e não intencionais, trabalhando em colaboração nesta matéria com uma séria de direcções-gerais nos domínios dos transportes, local de trabalho, saúde mental, violência, álcool e saúde infantil. Foram empreendidos, no período entre 1999-2002 mais de 80 projectos específicos para evitar as lesões
[12]. No entanto, ainda há espaço para mais acções eficazes, adoptando sobretudo as boas práticas que já provaram a sua eficácia na redução das lesões. A Comissão Europeia também adoptou, em Junho de 2006, a ‘Comunicação da Comissão sobra a acção para uma Europa mais Segura’
[13] e uma ‘Proposta de Recomendação do Conselho sobre a Prevenção de Lesões e a Promoção da Segurança, que deverá ser aprovada em Maio de 2007’
[14].
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