Os responsáveis da regulação reuniram-se, na Suíça, mas não avançaram medidas concretasOs governadores de mais de meia centena de bancos centrais concordaram ontem que são necessários novos instrumentos para reforçar a supervisão das instituições financeiras, assim prevenindo o eclodir de novas crises à escala global.
Reunidos em Basileia, na Suíça, no âmbito do BIS, o organismo que reúne os governadores de 55 bancos centrais, os responsáveis das autoridades monetárias não avançaram medidas em concreto, mas deixaram claro que as regras que venham a ser adoptadas não deverão impedir "a retoma da economia real".
O BIS espera que o novo enquadramento regulatório, que deverá estar finalizado antes do final do ano, irá contribuir para reduzir "a probabilidade e a severidade de situações de stress económico e financeiro".
Uma das ideias em que os governadores se centraram foi na necessidade de aumentar o capital dos bancos para prevenir novas crises. Outra foi a de definir novos parâmetros para o rácio tire one, que mede a qualidade dos activos de uma determinada instituição no conjunto dos seus capitais próprios.
O problema dos bónus milionários pagos aos administradores dos bancos foi outro tema presente na reunião, embora sem que se assumisse uma posição concreta. O governador do banco central da Holanda é citado como tendo afirmado que o objectivo, neste caso, é conseguir que as compensações aos gestores sejam "alinhadas com o desempenho de longo prazo [de uma instituição] e com uma gestão prudente do risco".
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, saiu satisfeito do encontro. "Os consensos alcançados (...) são essenciais para se avançar para novos standards na regulação bancária e na supervisão a um nível global." Mas os analistas salientam que, mais uma vez, é adiada a tradução das intenções em medidas concretas para colocar no terreno.
O mesmo se passou na cimeira dos ministros das Finanças do G20 (os 20 países mais desenvolvidos do mundo) que se realizou no sábado, em Londres.
Os responsáveis enunciaram propósitos semelhantes, mas deixaram para o comité de estabilidade financeira a responsabilidade de propor medidas concretas para a regulação bancária e os bónus dos gestores.
Alan Greenspan, que durante 18 anos liderou a Reserva Federal (banco central dos Estados Unidos), afirmou, também ontem, que as instituições financeiras norte-americanas necessitam de aumentar os seus capitais. E disse temer que as injecções de liquidez que os bancos tiveram recentemente venham a resultar num aumento das pressões inflacionistas na América do Norte.
Por José Manuel Rocha, in “Público” – 08.Set.09
