Impacto da paralisação que se inicia amanhã deverá ser minimizada com o fretamento de aviõesA greve dos pilotos da TAP marcada para amanhã e depois vai afectar os planos de 40 mil passageiros. A companhia desenhou uma estratégia que visa minimizar os contratempos para os clientes que iriam utilizar as carreiras da transportadora. Fretamento de aviões e desvio de passageiros para outras operadoras são alguns dos instrumentos de resposta à paralisação.
Ao PÚBLICO, o porta-voz da transportadora aérea, António Monteiro, admitiu que a empresa estava a tentar proteger "a maior parte possível dos passageiros" e que esse esforço passava pela contratação de empresas particulares. Esta possibilidade é fortemente contestada pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, que, em comunicado, acusa a TAP de estar "disposta a não cumprir a lei" ao repetir a atitude de Outubro de 2007, quando os pilotos pararam por um dia (os protestos eram, então, contra o alargamento da idade da reforma). "Nessa altura, a administração contratou serviços externos para substituir voos e pilotos, decisão essa que levou a Autoridade para as Condições de Trabalho, em Janeiro deste ano, a efectuar uma participação-crime ao Ministério Público pelos factos apurados contra a TAP", recorda o SPAC.
A TAP diz que não houve qualquer "auto de notícia" e defende-se dizendo que a posição do SPAC - que reclama aumentos salariais - não é aceitável, pois visa pressionar a empresa em função do prejuízo que ela sofre. "Quando a TAP freta aviões, não está a fugir ao prejuízo, pelo contrário, está a assumi-lo de forma evidente, procurando pelo menos manter a relação de confiança com o cliente para o futuro. Pretender que o passageiro fique sem qualquer protecção é castigar não apenas a TAP, que já teve um prejuízo, mas castigar também o próprio passageiro, que é quem sustenta a companhia, o que é incompreensível", disse ao PÚBLICO António Monteiro.A estratégia da TAP para transportar o maior número possível de passageiros foi concebida depois de estarem concluídas as negociações para convocar os serviços mínimos fixados por lei e que, neste caso, ficaram mesmo abaixo dos 35 voos que foram decididos quando da greve dos serviços de handling .
Os serviços mínimos para esta greve foram fixados na Concertação Económica e Social, tendo sido Eduardo Catroga quem dirimiu as pretensões dos vários intervenientes.
A decisão pendeu para a obrigatoriedade de serem assegurados todos os voos dos Açores, quatro para a Madeira, um para o Luxemburgo e outro para Luanda. De fora, e praticamente a obrigar ao fretamento de aviões particulares, estão os voos de longo curso e onde a TAP praticamente não tem concorrência. como as ligações para o Brasil. É para o fretamento destes aviões que a TAP está a encarar um prejuízo de cinco milhões de euros por cada dia de greve.
Entretanto, já muitos passageiros contactaram a TAP, nos últimos dias, na tentativa de alterar os seus voos. A companhia tem-no feito e encaminhado os seus clientes para companhias aéreas concorrentes sem cobrar a taxa que costuma ser aplicada nestes casos - cerca de 50 euros por pedido.
Publicado por: Jorge Frota
