Texto: Palmira Simões
Em idades precoces, a pele é extremamente sensível e vulnerável. E dado que tem memória, todos os raios recebidos durante a infância são “armazenados”, podendo aumentar o risco de cancro cutâneo na idade adulta
Bebés com menos de seis meses não devem expor-se directamente ao sol e, pelo menos até aos três anos, o aconselhável é que as crianças usem sempre uma t-shirt (mesmo dentro de água) e chapéu. Mas seja qual for a idade dos petizes, convém não fazer sessões “balneares” muito prolongadas e SEMPRE a horas em que o astro-rei é menos prejudicial, ou seja, há que evitar os banhos de sol entre as 11 e as 17 horas e não esquecer os companheiros inseparáveis destas lidas: protector solar, chapéu de abas largas, t-shirt de tons claros, óculos escuros (que protejam dos raios UV), locais com sombra e muita água para beber (para evitar a desidratação).
As crianças adoram passar o dia a chapinhar na água, mas mesmo dentro do meio aquático, bem como debaixo de um chapéu ou num dia enevoado podem apanhar um escaldão, pois a água, a areia e as nuvens reflectem os raios de uma maneira que potencia os efeitos do sol (funcionam como uma espécie de lente de aumentar).
No que diz respeito ao protector, é conveniente que tenha um elevado índice de protecção – se necessário recorrer mesmo ao ecrã total – e resistente à água. O porquê de tantos cuidados? Convém lembrar que o sol é fonte de vida mas também de doenças como o cancro cutâneo e outros transtornos. Para além disso, a pele tem memória e todos os raios recebidos durante a infância são “armazenados” para o resto da vida, o que pode aumentar o risco de doença maligna na idade adulta.
Na verdade, todos nós nascemos com um “capital solar” que varia em função da cor da pele: para as morenas é de cerca de 15 mil horas, já nas claras não vai além das cinco mil. Isto quer dizer que à medida que nos vamos expondo ao sol este “capital solar” - que não é mais do que o nosso mecanismo de defesa contra os danos causados pelos raios ultravioletas e infravermelhos – vai-se esgotando ao longo da vida, mais ou menos rapidamente consoante o número de exposições.
Razão mais do que suficiente porque a protecção deve começar o mais precocemente possível, tendo ainda em conta que a pele das crianças é especialmente sensível às mais variadas agressões. E agora que a época balnear está a começar em força, inclusive com as idas à praia por parte das escolas, pais e educadores devem prestar a máxima atenção a esta questão: crianças ao sol, protecção máxima!
A ter ainda em atenção
Bebés com menos de um ano ficam rapidamente frios dentro de água, como tal, limite os seus banhos a um máximo de 10 minutos. Se a temperatura ambiente for apenas amena, o melhor é nem sequer banhá-los.
Já as crianças mais crescidas gostam de se atirar para dentro de água de repente, sem pensarem obviamente nos perigos que isso pode acarretar se estiverem com a temperatura corporal muito elevada devido à exposição solar ou ao exercício físico (brincadeiras, correrias, etc.) e após as refeições. Há que explicar-lhes calmamente e com palavras que elas entendam a razão por que não devem fazê-lo se ocorrer qualquer destas situações enumeradas.
Publicado por: Jorge Frota







