Nos últimos dois anos assistiu-se, a nível mundial, a um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura de cereais e oleaginosas. Em consequência, os preços dos bens alimentares experimentaram uma subida substancial (o milho, por exemplo, passou de 120 para 260 euros por tonelada), sem que, todavia, tenham atingido, em dólares constantes, os máximos históricos registados nas décadas de 1970 e 1980.
O actual desequilíbrio decorre, por um lado, da quebra da produção, devida às secas prolongadas ocorridas na Austrália e noutros países e às políticas agrícolas seguidas na Europa e responsáveis pelo primeiro défice em cereais registado depois da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, resulta do concomitante aumento da procura, devido à crescente produção de biocombustíveis, com relevo para o etanol produzido a partir do milho nos EUA (anote-se que um litro de etanol contém menos energia do que a utilizada na sua produção) e, muito especialmente, à melhoria substancial da dieta alimentar das populações da Ásia emergente. De facto, as altas taxas de crescimento económico alcançadas na China e na fndia têm-se reflectido na subida do poder de compra e as respectivas populações tendem prontamente a adoptar uma balança alimentar semelhante à dos ocidentais,mormente no que concerne ao incremento da componente de origem animal (carne, leite, ovos) e, por conseguinte, pressionam a subida do preço dos cereais e das oleaginosas utilizados em alimentação animal.
A actual situação, atrás descrita a traços largos, é verdadeiramente dramática para muitos países em desenvolvimento, designadamente em África, que sofrem problemas de subnutrição gravíssimos.
Mas, por outro lado, irá certamente estimular a produção de cereais e oleaginosas, bem como a produção animal em moldes eficientes.
No caso português, antevejo que a subida do preço dos cereais irá promover a produção de milho, em que - somos competitivos mas ainda altamente deficitários, e favorecerá a - produção avícola, dada a elevada eficiência com que as aves transformam as matérias-primas vegetais (milho, soja) em produtos de origem - animal de relevante interesse (carne magra, ovos), com sublinhado para - o alto valor biológico das suas proteínas, as apreciadas propriedades organolépticas, facilidade de confecção e custo razoável.
A referida eficiência alimentar resulta, primordialmente, dos notáveis progressos obtidos, após a Segunda Grande Guerra, no melhoramento genético das aves, quer de aptidão carne quer de vocação ovopoiética. Em ambos os segmentos avícolas, o melhoramento foi dirigido fundamentalmente no sentido de diminuir as despesas nutritivas de conservação relativamente às de produção. No primeiro caso, o referido objectivo foi atingido sobretudo através da selecção das aves mais vorazes, que por isso acusam major velocidade de crescimento, de modo que atingem determinado peso vivo à idade de abate em menos dias, destinando assim uma menor proporção do alimento ingerido para suprir as necessidades de conservação da ave (frango, peru, pato). No segundo caso, a maior eficiência alimentar foi conseguida seleccionando aves com baixo peso vivo e elevada produtividade, tendo em vista igualmente diminuir a proporção do alimento ingerido destinada às despesas de manutenção da galinha poedeira.
Deste modo, a moderna avicultura revela-se muito eficiente, beneficiando de vantagens comparativas nas vertentes económica e ambiental: menor ingestão de ração por kg de aumento de peso vivo (ou por kg de ovos produzidos) corresponde a menores custos de produção e menores impactos ambientais, em termos de inputs e de outputs. De salientar que a referida vantagem comparativa de índole económica é tanto maior quanto mais elevados forem os preços dos cereais e das oleaginosas. Resumidamente e de forma simples, pode-se afirmar que a produção avícola eficiente é amiga do ambiente e também da saúde e do bolso dos consumidores.
Todavia - importa considerar -, a economia portuguesa é aberta à concorrência europeia (mas não completamente à de países terceiros, onde as condições de produção não são comparáveis), pelo que só as empresas eficazes e com economias de escala se revelam capazes de ombrear com as suas congéneres europeias. Ora, verifica-se que em Portugal existem na área avícola empresas competitivas à escala europeia e que por isso asseguram o auto-aprovisionamento do País em carne de aves e em ovos de consumo - uma situação que no nosso sector agrícola só é conseguida também nos domínios do leite e do vinho. Não se estranhará pois que o maior grupo privado português da área agro-alimentar actue predominantemente na fileira da carne de aves - que, talvez seja pertinente relevar, não beneficiou de apoios comunitários à produção. A concluir, podemos sublinhar que em Portugal existem empresas avícoIas que não receiam a concorrência a nível europeu, sendo que algumas já se encontram implantadas também no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, colocando-se assim mais próximo de um grande mercado em crescimento (para onde também já exportam) e onde a burocracia é mais simplificadora e célere, o que a meu ver irá impulsionar uma maior internacionalização dalgumas empresas avícolas portuguesas.
O actual desequilíbrio decorre, por um lado, da quebra da produção, devida às secas prolongadas ocorridas na Austrália e noutros países e às políticas agrícolas seguidas na Europa e responsáveis pelo primeiro défice em cereais registado depois da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, resulta do concomitante aumento da procura, devido à crescente produção de biocombustíveis, com relevo para o etanol produzido a partir do milho nos EUA (anote-se que um litro de etanol contém menos energia do que a utilizada na sua produção) e, muito especialmente, à melhoria substancial da dieta alimentar das populações da Ásia emergente. De facto, as altas taxas de crescimento económico alcançadas na China e na fndia têm-se reflectido na subida do poder de compra e as respectivas populações tendem prontamente a adoptar uma balança alimentar semelhante à dos ocidentais,mormente no que concerne ao incremento da componente de origem animal (carne, leite, ovos) e, por conseguinte, pressionam a subida do preço dos cereais e das oleaginosas utilizados em alimentação animal.A actual situação, atrás descrita a traços largos, é verdadeiramente dramática para muitos países em desenvolvimento, designadamente em África, que sofrem problemas de subnutrição gravíssimos.
Mas, por outro lado, irá certamente estimular a produção de cereais e oleaginosas, bem como a produção animal em moldes eficientes.
No caso português, antevejo que a subida do preço dos cereais irá promover a produção de milho, em que - somos competitivos mas ainda altamente deficitários, e favorecerá a - produção avícola, dada a elevada eficiência com que as aves transformam as matérias-primas vegetais (milho, soja) em produtos de origem - animal de relevante interesse (carne magra, ovos), com sublinhado para - o alto valor biológico das suas proteínas, as apreciadas propriedades organolépticas, facilidade de confecção e custo razoável.
A referida eficiência alimentar resulta, primordialmente, dos notáveis progressos obtidos, após a Segunda Grande Guerra, no melhoramento genético das aves, quer de aptidão carne quer de vocação ovopoiética. Em ambos os segmentos avícolas, o melhoramento foi dirigido fundamentalmente no sentido de diminuir as despesas nutritivas de conservação relativamente às de produção. No primeiro caso, o referido objectivo foi atingido sobretudo através da selecção das aves mais vorazes, que por isso acusam major velocidade de crescimento, de modo que atingem determinado peso vivo à idade de abate em menos dias, destinando assim uma menor proporção do alimento ingerido para suprir as necessidades de conservação da ave (frango, peru, pato). No segundo caso, a maior eficiência alimentar foi conseguida seleccionando aves com baixo peso vivo e elevada produtividade, tendo em vista igualmente diminuir a proporção do alimento ingerido destinada às despesas de manutenção da galinha poedeira.
Deste modo, a moderna avicultura revela-se muito eficiente, beneficiando de vantagens comparativas nas vertentes económica e ambiental: menor ingestão de ração por kg de aumento de peso vivo (ou por kg de ovos produzidos) corresponde a menores custos de produção e menores impactos ambientais, em termos de inputs e de outputs. De salientar que a referida vantagem comparativa de índole económica é tanto maior quanto mais elevados forem os preços dos cereais e das oleaginosas. Resumidamente e de forma simples, pode-se afirmar que a produção avícola eficiente é amiga do ambiente e também da saúde e do bolso dos consumidores.
Todavia - importa considerar -, a economia portuguesa é aberta à concorrência europeia (mas não completamente à de países terceiros, onde as condições de produção não são comparáveis), pelo que só as empresas eficazes e com economias de escala se revelam capazes de ombrear com as suas congéneres europeias. Ora, verifica-se que em Portugal existem na área avícola empresas competitivas à escala europeia e que por isso asseguram o auto-aprovisionamento do País em carne de aves e em ovos de consumo - uma situação que no nosso sector agrícola só é conseguida também nos domínios do leite e do vinho. Não se estranhará pois que o maior grupo privado português da área agro-alimentar actue predominantemente na fileira da carne de aves - que, talvez seja pertinente relevar, não beneficiou de apoios comunitários à produção. A concluir, podemos sublinhar que em Portugal existem empresas avícoIas que não receiam a concorrência a nível europeu, sendo que algumas já se encontram implantadas também no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, colocando-se assim mais próximo de um grande mercado em crescimento (para onde também já exportam) e onde a burocracia é mais simplificadora e célere, o que a meu ver irá impulsionar uma maior internacionalização dalgumas empresas avícolas portuguesas.
In “Revista da Associação dos Jovens Agricultores”
Jovens Agricultores # 74
Abr-Mai-Jun.2008
Dossier – págs. 12 e 13
Jovens Agricultores # 74
Abr-Mai-Jun.2008
Dossier – págs. 12 e 13





































